Annie Ernaux, Luiza Neto Jorge e Maria Ressa nas novidades do Grupo Porto Editora

Lusa

A poesia completa de Luiza Neto Jorge, dois livros da Nobel da Literatura Annie Ernaux, "Como fazer frente a um ditador", da Nobel da Paz Maria Ressa, estão entre os títulos a publicar este semestre, pelo Grupo Porto Editora.

O plano editorial apresentado hoje, em Lisboa, envolve cem títulos, entre os quais também se encontram “Confiança”, do escritor de origem argentina Hernán Diaz, finalista do Booker Prize, “Dor Fantasma”, do brasileiro Rafael Gallo, vencedor do Prémio José Saramago, e "Canção Derruída", poesia do igualmente brasileiro Mar Becker, finalista do Prémio Jabuti em 2020, editado pela primeira vez em Portugal.

"Poesia", o resgate da obra de Sebastião da Gama, "Toda a Terra", apresentado como "síntese magistral do percurso de Ruy Belo", "Ignição", antologia poética de António Osório, e o lançamento do primeiro de dois volumes da obra de Pedro Homem de Mello, poeta da Presença, são outros títulos em destaque, numa programação que prevê ainda o regresso às livrarias de “Lúcialima”, o romance de Maria Velho da Costa, para o qual Paula Rego concebeu a capa da edição original (O Jornal), ocorrida há 40 anos.

"Guerra", o inédito de Louis-Ferdinand Céline, revelado em 2022, mais de 80 anos após a sua escrita, é outra das propostas das diferentes chancelas do Grupo Porto Editora (GPE), para os próximos seis meses, que sucederá à reedição do histórico "Morte a Crédito", na tradução de Luiza Neto Jorge.

"O Castelo do Barba Azul", do espanhol Javier Cercas, "Transbordo em Moscovo", do seu compatriota Eduardo Mendonza, “A Morte e o Pinguim”, descrito como “obra-prima” do ucraniano Andrei Kurkov, autor de "Abelhas Cinzentas", revelado no ano passado no mercado livreiro português, e "The Rooster House” (título original), estreia literária da escritora de origem ucraniana Victoria Belim, “obra sensação da Feira do Livro de Londres de 2022”, na qual regressa ao seu país, são outros títulos anunciados para o semestre, num lote que também inclui “Mundo Sepúlveda”, dedicado a Luís Sepúlveda, autor chileno falecido em 2020.

“Mais do que uma homenagem, ‘Mundo Sepúlveda’ é um diálogo entre as fotografias de Daniel Mordzinski [o chamado 'fotógrafo de escritores', amigo do romancista] e as palavras do autor chileno”, afirma a PE, acrescentando que “muitos dos textos são inéditos" em Portugal. O livro será apresentado no Correntes d'Escritas, festival literário a decorrer de 14 e 18 de fevereiro, na Póvoa de Varzim.

Ainda de Sepúlveda, será publicado “O Caçador Descuidado: Poesia Reunida (1967-2016)", uma edição bilingue, com prefácio de José Luís Peixoto, que revela a faceta de poeta do escritor, que foi um oposicionista à ditadura militar de Augusto Pinochet.

Do cubano Leonardo Padura, será publicado “Pessoas Decentes”, cuja narrativa se passa em Havana em 2016. Da chilena Isabel Allende, surgirá “El viento conoce mi nombre” (título original), no qual retoma temas de “exílio, migração, identidade, minorias, emancipação feminina”, agora com a fronteira sul dos Estados Unidos por referência.

Da espanhola Paloma Sánchez-Garnica é anunciada a edição de “Os Últimos Dias em Berlim”, livro finalista do prémio Planeta 2021, com ação centrada na Alemanha em 1933, durante a ascensão de Hitler ao poder. Da sua compatriota Rosa Mantero, surgirá “O Perigo de Estar no Meu Perfeito Juízo”, “prova da capacidade da autora de misturar ficção, autobiografia e ensaio”.

A publicação da obra de Annie Ernaux, Nobel da Literatura 2022, tem continuidade com “Memória de Rapariga”, no qual a escritora regressa ao verão de 1958 e à colónia de férias onde, pela primeira vez, passou a noite com um homem, e com “Jovem”, inédito revelado no ano passado e já lançado este ano no mercado livreiro português.

"Cinza, Agulha, Lápis e Fosforozitos", de Robert Walser, "vinte breves textos selecionados, traduzidos e prefaciados por Ricardo Gil Soeiro", que abrem "uma porta para o universo" do escritor suíço de língua alemã, e "Todos os contos", de Franz Kafka, numa tradução de Álvaro Gonçalves, são novidades do GPE, numa lista em que também se destacam reedições de "Retrato do Artista quando Jovem", de James Joyce, "O Templo da Alvorada", de Yukio Mishima, e de "Pastagens do Céu" e "Os Náufragos do Autocarro", de John Steinbeck.

Na poesia, o semestre do GPE promete ainda "Novos Poemas”, de Rainer Maria Rilke, recolha dos anos de 1907-1908, com tradução e prefácio de Maria Teresa Dias Furtado, "Fidelidade" e "Post-Scriptum", que prosseguem a publicação título a título da obra poética de Jorge de Sena, "Oníricas", de Ana Marques Gastão, e a antologia "Adeus, Campos Felizes", uma recolha de Rui Lage, da poesia portuguesa desde o século XIII até à atualidade.

Sobre a "Poesia” completa de Luiza Neto Jorge, autora que, desde 1960, "abriu novos caminhos" na literatura portuguesa, como sublinha o GPE, o volume “amplia a antiga recolha, com textos inéditos e dispersos recém-recolhidos”.

"Como fazer frente a um ditador", da jornalista filipina Maria Ressa, destaca-se na não-ficção. A obra da Nobel da Paz de 2021 centra-se na rede de desinformação do antigo presidente do seu país Rodrigo Duterte, e encontra paralelo nas estratégias que sustentaram "os principais movimentos de privação das liberdades democráticas, como o Brexit, a invasão russa da Ucrânia e o ataque ao Capitólio em Washington".

Nas propostas de não-ficção, nas chancelas do GPE, cruzam-se ainda os clássicos "Sobre a Liberdade", de John Stuart Mill, e "Como ganhar uma discussão (mesmo sem ter razão)", de Arthur Schopenhauer, com títulos como "Os Segredos do Palácio", da família real inglesa, num livro da Tina Brown, antiga editora das revistas Vanity Fair e The New Yorker.

Nos autores portugueses, destaca-se a reedição de "A Capital", de Eça de Queirós. Há ainda “Os segredos de Juvenal Papisco”, romance de estreia de Bruno Paixão, autor que venceu, no ano passado, o Prémio Literário Luís Miguel Rocha, “Até ao Fim da Terra”, de João Pedro Marques, que regressa à narrativa histórica, agora no contexto das invasões francesas, e “A Célula de Sheffield”, romance “entre o policial e o ‘suspense’", de José Gomes Mendes, ex-secretário de Estado Adjunto e da Mobilidade e ex-presidente da Assembleia Geral da Liga Portuguesa de Futebol Profissional.

De Richard Zimler, será publicada a segunda e última parte da saga sefardita “A Aldeia das Almas Desaparecidas”, com o subtítulo “Aquilo que Procuramos Está Sempre à Nossa Procura”.

Mário de Carvalho, com o ilustrador Pierre Pratt, regressa ao Beco das Sardinheiras para contar "A Torneira", uma história para a infância.