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Artigo de Opinião

Advogada

17/04/2024 08:00

José Paiva Capucho, no seu artigo in “A Revista do Expresso” de 12 de abril de 2024, recordou-nos o que havia dito Éamon de Valera em 1961 e que foi o seguinte: “Quando penso na rádio, na televisão e no seu imenso poder, tenho receio. Tal como a energia atómica, a televisão pode ser usada para o bem, mas também pode causar danos irreparáveis”.

Efetivamente, aquele senhor, que foi o terceiro Presidente da Irlanda, já havia intuído que a televisão constituía um instrumento tremendo de comunicação, mas que poderia transformar-se numa verdadeira “arma” se não viesse a estar ao serviço do bem comum e da verdade.

Bem sabemos que os telejornais e os jornais influenciam a opinião pública, pois são para muitas pessoas uma autêntica fonte fidedigna de informação.

A verdade é que hoje deparamo-nos com sucessivas notícias que abrem telejornais, que são as primeiras páginas de jornais e que estão ao serviço de alguns interesses que têm por fito aniquilar alguns para fazer sobressair outros, descurando-se, assim, uma informação que se pretende conscienciosa, crítica e reflexiva. E, assim, todos, todos perdemos!

Aliás, quantas e quantas vezes a comunicação social é usada por muitos como forma de chantagear os respetivos intervenientes quando estes adotam práticas que podem não ser as mais adequadas, mas que devem ser discutidas na respetiva sede! É triste, mas, infelizmente, acontece e mais uma vez quem perde é a sociedade que se pretende alicerçada em práticas de responsabilidade, de consciencialização, de honestidade e de verdade.

Acrescem as redes sociais em que se procura registar em cada momento uma validação, em busca dos likes, ainda que muitos daqueles se restrinjam a artifícios de uma realidade que se pretende esconder.

O Papa Francisco na pretérita Quarta-Feira de Cinzas apelou a um regresso urgente à realidade, dizendo-nos que a vida não é uma peça de teatro e que devemos regressar à verdade do que somos.

Ora, e é neste regresso à realidade, do que verdadeiramente somos, que o Papa Francisco nos convida a procurar, sempre, a realidade, sem que nos deixemos influenciar pelos “tiktoks” desta vida, pelos ditos “likes” e pelos “followers”.

Efetivamente, a dependência daquelas redes sociais, bem como de uma cultura que endeusa a imagem e que procura a aparência, torna-nos escravos de um pensamento dominante que faz surgir fenómenos como os de Donald Trump e de Javier Milei em que rapidamente a mentira se torna verdade e a verdade é mascarada pela mentira. E esta mescla, entre a verdade e a mentira, traz à nossa memória a curta-metragem realizada em 1902, por Georges Méliès, com o título “A Coroação de Eduardo VII” que teve a particularidade de ter filmado a dita cerimónia sem que o realizador tenha sido convidado para tal evento. Aqui encontramos um exemplo do perigo que é estarmos colados a um ecrã, a um jornal, sem qualquer sentido crítico ou de desconstrução da aparente realidade que tantas vezes por ali nos é trazida.

Daí que a interrogação e a dúvida perante os desafios da vida, alicerçadas no desejo de continuar no percurso da aprendizagem, sem medo de errar e de aceitar diferentes opiniões, desembaraçará a sociedade do pensamento dominante que tolhe a liberdade de cada um e de todos.

Que tenhamos todos consciência da importância da credibilidade, da honestidade em todos os meios, especialmente no seio da comunicação social e das redes sociais, para que possamos contribuir para uma sociedade mais desenvolvida, mais justa, mais verdadeira que não adorna a realidade com artifícios e artimanhas para prosseguir interesses de apenas alguns.

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