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Artigo de Opinião

Psiquiatra

16/04/2024 08:00

Durante muitos anos e talvez ainda na atualidade, há aqueles momentos na televisão que pouco compreendemos. Falo do programa de domingo, que tantos anos se manteve e mantém, sobre a vida selvagem. Num curto intervalo semanal, deixa de haver preocupações com audiências e passa-se uma mensagem subtil do valor da natureza, do quão fantásticas são as outras famílias que habitam este planeta e a importância de todos cuidarmos do planeta.

Da mesma forma que este programa passado numa televisão tão preocupada com audiências é atípico, também continuam a serem atípicas as pessoas verdadeiramente empenhadas em que o mundo mude.

Segundo o site da Assembleia da República - “só após a Revolução de 25 de Abril de 1974 se consagraria o sufrágio universal e seriam abolidas as restrições ao direito de voto baseadas no sexo dos cidadãos”. Mesmo passadas cinco décadas, os direitos das mulheres continuam frágeis, insuficientes e pouco reconhecidas pelo seu valor. Um problema partilhado por quase todas as minorias, a diferença é que as mulheres não são a minoria. São 52% da população nos censos de 2021. Como é que o maior grupo do país, continua a ser vítima de tantos abusos?

Há pessoas que fazem o argumento do poder físico dos homens, de existirem trabalhos que não são dignos das mulheres, de serem imprevisíveis, frágeis, engravidarem, ... Mas na realidade as diferenças que existem não são limitadoras. Colocamos mulheres a limparem quartos na hotelaria com colchões e móveis pesadíssimos, a limparem no geral, a trabalharem em fábricas, muitas com lesões articulares passados 20 anos, com verdadeiras incapacidades, dores sem fim, mas se considerarmos outros trabalhos técnicos, como electricista, canalizador, construtor, dizemos que não são trabalhos para mulheres. Afinal os trabalhos para “mulheres”, são aqueles que as destroem e humilham, para depois não terem força para lutar pelos seus direitos.

Há tantas coisas que não são dignas das mulheres, mas a violência sexual e física, essa continua a acontecer. A quantidade de mulheres marcadas para a vida por estes acontecimentos, é possível que seja uma das maiores epidemias comportamentais da nossa história e atualidade.

O livro publicado por Passos Coelho e tantas afirmações políticas dos últimos anos, claramente existe uma força poderosa que tenta retirar direitos às mulheres e outros cidadãos. O poder do homem branco está ameaçado e cabe a todas as pessoas de bom-senso, acabar de vez com ele. Somos todos irmãos e ser homem e branco não nos torna melhores que ninguém. Todos devemos ter as mesmas oportunidades, os mesmos direitos e proteção. Num mundo que está a sofrer alterações climáticas sérias, que estamos a caminho de um clímax que não sabemos quando vamos atingir, é um contra-senso estarmos preocupados em revogar direitos, reforçar fronteiras e fingir que nada mudou desde o fim da família perfeita salazarista.

Felizmente as mulheres ganharam o direito de se divorciarem sem isso parecer um pecado mortal, conseguiram votar, conseguiram abortar legalmente, conquistaram os seus lugares no topo das universidades, na investigação, nas empresas, entre outros locais. Curioso como as mulheres subiram em todos os locais de acesso livre, menos aqueles que são controlados por opiniões e tradições. As mulheres são tão capazes como os homens e em muitos casos melhores ainda.

Nesta época ameaçada por real destruição do mundo, quando é que aprendemos a cuidar uns dos outros e juntos, preservar e cuidar da nossa verdadeira casa, a terra?

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