Entre a espada e a parede

A crise política que se vive a nível nacional, que teve o seu epílogo com o voto contra o Orçamento de Estado, de uma “caranguejola” negativa na Assembleia da República, que colocou a esquerda a votar ao lado da direita, desdizendo tudo o quer havia proclamado nos últimos anos, mais não foi do que uma luta pela sobrevivência, no caso do PCP e de um toque de finados no caso do BE.

Ambos têm sido penalizados pelo apoio ao Governo de Costa mas o BE será o que pagará a fatura mais elevada pela deserção pela qual optou agora. O país está muito para além das jogadas políticas e nem o Plano de Recuperação e Resiliência, que tem de ser executado em tempo recorde, fez entender que isso é assim. Diria mais, se calhar foi por isso mesmo que a casa veio abaixo.

Por seu turno, o Presidente da República, na sua verborreia habitual acabou por ser um dos principais atores da crise, mesmo que a quisesse evitar, porquanto, colocou uma pressão insuportável nos partidos da esquerda, fazendo contactos informais com deputados e dirigentes partidários, como o próprio confessou. Marcelo quis colocar esses partidos entre a espada e a parede mas foi o próprio que ficou nessa posição, tendo optado pela espada.

A sua magistratura de influência funcionou ao contrário e precipitou uma crise que o próprio disse querer evitar. Por vezes isso é mesmo assim, o efeito é contrário ao que se pretendia produzir e neste particular andou mal. Resta ver se tudo isso não se ficou a dever a uma vontade, intrínseca, de favorecer os partidos de direita, que é a sua área política, e um em particular, pois o que escrevo é anterior à marcação da data das eleições. Se as eleições forem a 30 de Janeiro ou em data posterior é isso que fica comprovado, quanto ao Partido e quanto ao apoio a Rangel.

Já quanto a cabeças de lista a essas eleições nacionais, nomeadamente no que tem a ver com o cabeça de lista do PS-M parece-me óbvio que o trabalho efetuado pelo Deputado Carlos Pereira justifica plenamente a sua recondução apesar da tentação de alguns, perdedores avençados, que gostariam de lhe cortar a cabeça, a mediocridade é mesmo assim.

Tudo para os derrotados: maridos, esposas, primas, cunhados, falecidos e outros mais, sem que o critério de competência seja o mais importante. Com o respeito que todos os anteriores deputados me merecem e sem qualquer tipo de frete, o Deputado Carlos Pereira é, tenho a certeza e os Madeirenses também, o melhor deputado de todos os tempos eleito pelo círculo eleitoral da Madeira.

Que fique claro para essa gentinha que convive mal com a competência e com a autonomia, que não tem peso político, nem nunca terá, o Partido Socialista é muito maior que qualquer personalidade e nem estou a falar de Paulo Cafôfo. O Paulo disse que voltava à escola e voltou, é factual, outros deveriam voltar às empresas que faliram o que determinou, então, que tivessem o seu vencimento, autárquico, penhorado. Ao invés e como tinha vaticinado, na minha opinião do mês passado, foram protegidos. Veremos onde é que isto vai dar! Outros levaram guia de marcha.

O caminho é prá frente e tentaremos manter o nosso sentido de responsabilidade, dialogando, convergindo, entendendo o momento difícil que todos vivemos, mas sem amarras. O que faremos dependerá muito do que quiserem fazer do PS-M. As crises vividas a nível nacional pelo PSD e pelo CDS, demonstram que o posicionamento que temos tido é o correto, porque altamente responsável. O PS-M não pode voltar às guerrilhas internas, mas para dançar o tango são preciso dois (ou talvez três), se quisermos ir longe e Sempre pela Madeira, teremos de ir juntos. O caminho já esteve mais fácil. Vencer em 2023 ainda é possível.

Não queremos voltar à estaca zero, mas também não queremos que se repitam erros do passado, queremos, sim, acrescentar ao que está construído, portanto juizinho.