As fake news na área do ambiente

Vivemos hoje no mundo da informação, principalmente a digital. Estamos dependentes e “agarrados” aos nossos smartphones a acompanhar ao minuto as noticias que vão sendo publicadas, muitas das quais nas redes sociais. Nesta senda, por vezes, perdemos a noção da realidade e as fake news, em português falsas noticias (mas que vou apelidá-las de notícias maldosas e manipuladas) tornam-se realidade.

O ambiente é uma área “rica” em fake news, e não faltam “especialistas” nesta matéria que conseguem ver muito além, dado o teor dos seus comentários no mundo da informação. É natural, e desejável que cidadãos interessem-se pelo tema do ambiente e expressem as suas opiniões, que devem ser conscientes, esclarecidas, verdadeiras e isentas. Contudo, este desiderato, encontra dificuldades, pois aqueles que mais debitam informação para as redes sociais e mesmo para os órgãos de comunicação social, são aqueles que se encontram motivados e possuem interesses nas fake news.

A agravar a questão das fake news há ainda a registar o fenómeno que apelido “do ser do contra”, ou seja, contra tudo. Ser do contra sobre algo que se faz, ou que se quer fazer, ou ser do contra porque simplesmente não se fez e que se devia fazer. Sobre esta tendência que soma likes nas redes sociais obviamente quem se encontra no centro de decisão é sempre visado. 

Existem diversos exemplos férteis de fake news. Mas vejamos algumas questões do mais recente tema, a pavimentação do Caminho das Ginjas, constatando factos e deixando de lado princípios e convicções. Há uma intensão legitima por parte do Governo Regional em querer pavimentar aquele caminho. Foi elaborado o respetivo projeto tendo em atenção o local em questão, e o promotor da obra, cumprindo com o que a legislação determina, submeteu esse projeto a Estudo de Impacte Ambiental (EIA), estudo esse que esteve em consulta pública para que qualquer cidadão pudesse consultar e dar o seu contributo caso assim o achasse conveniente.

Existiram muitas participações, mas pasme-se quando assistimos a contributos que referem que se pretende rasgar uma estrada, ou refere que será necessário desmatar uma vasta área por onde a estrada irá ser pavimentada. Quem pretende participar deve-o fazer sendo integro e correto nas suas considerações, pois o caminho já se encontra aberto desde os anos 80, estando em discussão apenas a sua pavimentação.

Ainda sobre este tema, assistimos também partidos políticos a opinarem sobre a componente técnica do estudo, como se fossem especialista na matéria. O EIA foi elaborado e pode ser objeto de apreciações, mas não arranjem desculpas e falsos argumentos, para justificar as suas decisões que são meramente politicas. Caso para perguntar se em algum contexto estes partidos mudariam a sua opinião de ser do contra? Neste caso contra a pavimentação do caminho. Julgo que se estivéssemos perante outra área da ciência ou principalmente a da justiça estes mesmos partidos não se atreveriam a opinar da forma que o fizeram sobre este tema. Neste caso em apreço, mesmo as ONG’s que deveriam participar com contributos relevantes para o esclarecimento, emitem comunicados imprecisos e incorretos, contribuindo para as fake news.

As fake news surgem em tão larga escala que já existem programas televisivos e espaços nos media a tentar analisar corretamente os temas para que a comunicação que chega a todos nós seja a mais correta possível. Pena é que as consequências para os promotores dessas falsas noticias seja apenas “pimenta na língua” como refere um desses programas. Para que possamos estar corretamente informados é necessário valer-se do sentido critico ao analisar a informação bombardeada e debitada todos os dias e se necessário “beber” diretamente da fonte essa mesma informação. É importante que que não nos deixemos manipular pelas “noticias maldosas”.