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Artigo de Opinião

Médica Veterinária

9/05/2024 08:00

O local de trabalho é a nossa segunda casa. É lá que passamos a maior parte do nosso tempo, e quantos de nós muito mais do que na sua própria casa... Por tal, tem de ser um local promotor de saúde e felicidade e não de desânimo, frustração ou mesmo sofrimento.

Lamentavelmente, o que se assiste após séculos de reivindicações pelo direito ao trabalho, e ao trabalho condigno, e no “desenvolvido” século XXI, é que em muitos locais de trabalho predomina ainda um modelo feudal: uma hierarquia definida pela prepotência, abuso de poder, assédio e tantas vezes pela humilhação dos próprios trabalhadores. A este propósito, num estudo europeu, relativamente recente, lia-se que os trabalhadores portugueses eram dos mais insatisfeitos da Europa e entre outras causas, como os baixos salários a encimar a insatisfação, a autoridade hierárquica abusiva era um dos fatores mencionados para essa insatisfação.

O bem-estar, e felicidade, no trabalho tem-se afirmado em vários sectores sociais, e na investigação científica, como um dever ético das organizações e serviços laborais. Constitui mesmo uma dimensão social com repercussões socioeconómicas implícitas, e consequentes, ao nível de valores sociais como o respeito, a equidade e não discriminação, e a liderança responsável, não autoritária e não tóxica. Sim, há ambientes de trabalho cuja toxicidade é tal que levam muitos dos seus trabalhadores ao absentismo por depressão, ansiedade, cansaço exagerado ou mesmo burnout.

Nem todos temos a possibilidade de fazermos o que queremos e gostamos – “faz o que gostas e não trabalharás um dia” – situação, essa, que per si contribuiria de forma determinante para a felicidade no trabalho. Sujeitamo-nos, muitos de nós, a um cenário de um trabalho que configura, tantas vezes, sacrifício – e isto pode repercutir-se, mais uma vez, na saúde, e na criação de um ambiente de trabalho indesejado. São poucos os visionários empresariais que investem na motivação dos trabalhadores e na recriação de um bom ambiente de trabalho – e há tantas formas de o fazer e tantas atitudes a adotar em toda a cadeia dessas organizações, seja na direção ou chefias, seja entre colegas...

Ainda um outro estudo, este britânico, concluiu que os trabalhadores (e não colaboradores como agora se inscreve para designar pessoas que vendem a força do seu trabalho!) felizes são mais produtivos e mais comprometidos com o seu trabalho. Empenham-se mais nas tarefas, interessam-se mais pelas matérias, entusiasmam-se no cumprimento de metas, e o tempo parece ser relativo: as segundas e sextas-feiras não têm a carga negativa e positiva, respectivamente, que muitos de nós lhes atribuímos. E é claro que esta felicidade no trabalho não é alheia a uma boa remuneração, às boas condições laborais e ao cumprimento da legislação laboral, e da Constituição, em vigor.

Há um longo caminho a percorrer na abordagem, e no debate alargado, e aprofundado, em torno desta matéria – quer ao nível de organismos sociais ou de gestão, e também académicos, mas não é impossível alcançar-se a felicidade no trabalho, de forma que não sintamos nas sete ou mais horas de trabalho um “desperdício” de vida ou meramente uma fonte de renda para a nossa sobrevivência – mas sim, antes, uma mais-valia significativa, e com significado, na nossa vida.

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