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Artigo de Opinião

21/01/2026 08:00

No passado domingo ocorreram as eleições para a Presidência da República e, felizmente, venceu António José Seguro. Confesso que, no início desta caminhada, receei que fôssemos ter uma segunda volta onde a opção seria entre um candidato fascista e outro que pouco ou nada me dizia, sustentado apenas pela notoriedade alcançada pelo processo de vacinação e que levou consigo uma série de oportunistas políticos que, julgando que estava ganho, se colocaram logo atrás. A esses oportunistas, uns mais anónimos que outros, ficamos a saber a verticalidade das suas ideologias. Espero que façam o seu caminho longe e deixem de contaminar quem pretende efetuar uma mudança positiva, em particular aqui na Região.

Mas o importante é que venceu o candidato da moderação, o candidato que pretende unir e não dividir. Venceu o candidato que, reconhecendo os problemas que o país enfrenta, que são efetivamente muitos, desde a saúde, a habitação, a falta de oportunidades para os mais jovens, a falta de boas condições de trabalho, enfim, entre tantos outros, não foi pelo caminho mais fácil. Apresentou-se claro nas suas ideias, fez o seu caminho com tranquilidade, livre de amarras políticas e independente do seu passado político, que como bem sabemos vem do centro de esquerda, progressista e moderado.

Pessoalmente, sempre me identifiquei com António José Seguro. Fi-lo nos momentos em que pude fazer, quando fui chamado a mostrar a minha opinião, independentemente da corrente vencedora interna do partido, mas convicto do meu posicionamento. Assim funciona a democracia, várias vezes as coisas não vão no rumo que mais gostamos, e ainda assim, compete-nos respeitar e seguir em frente. Mas também é assim a democracia, que por vezes vai no sentido que mais gostamos e, nesses momentos, ficamos mais fortalecidos nas nossas convicções. Assim foi no passado domingo.

Na intervenção que fiz no Congresso do Partido Socialista, entre os votos de muito sucesso que dirigi à Presidente Célia Pessegueiro, afirmei que a segunda volta para as eleições presidenciais poderia ditar, pela primeira vez, um confronto direto e sem filtros entre nós, os moderados, os humanistas, defensores da liberdade e da fraternidade, e a extrema direita. É disso que se tratam estas eleições, pela primeira vez, teremos apenas duas opções que são muito, mas mesmo muito distintas.

E não podem haver dúvidas, não manifestar a sua opinião, como está a fazer o PSD, por mero calculismo político, contando com a extrema direita para garantir a sobrevivência do Governo da República, é muito perigoso. Trata-se de uma fuga à responsabilidade de afirmar ao País que, mesmo estando num campo ideológico diferente, não se compactua com quem coloca os portugueses em confronto, com quem se arroga superior à justiça, com quem acha que vai “limpar” a corrupção no país, como se o problema da corrupção tivesse um dono político.

No dia 8 de fevereiro prevalecerá a moderação, prevalecerá a união de todos os portugueses e não a sua divisão.

Tenham em mente o seguinte: neste momento, já não é o Partido Socialista que está em risco. A candidatura de António José Seguro é pessoal e, apesar de representar uma determinada área ideológica, é efetivamente suprapartidária. Já a candidatura de André Ventura é, assumidamente, do partido Chega. Basta ver as bandeiras partidárias nas suas ações de campanha. Para eles, tudo é válido, incluindo a mistura deliberada entre eleições presidenciais, que são candidaturas pessoais, com os partidos. E se há partido que corre sérios riscos nas próximas eleições legislativas com um eventual reforço de votação de André Ventura/Chega, esse partido é, sem margem para dúvidas, o PSD, que se deixou ficar ao sabor da corrente.

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