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Artigo de Opinião

Bispo Emérito do Funchal

31/10/2021 07:00

Após três meses do naufrágio, talvez no mês de fevereiro do ano 61, Paulo e os companheiros embarcaram numa nave que chegara de Alexandria com cereais e se dirigia para Roma. A viagem foi calma e os tripulantes permaneceram três dias na magnífica cidade de Siracusa. Quando chegaram ao maior porto da antiguidade Misseno, na Itália, os cristãos já o esperavam concedendo-lhe grande hospitalidade, terminando assim a viagem marítima. Após percorrer a Via Ápia, a mais célebre da antiguidade romana, chegou a Roma, para onde já tinha enviado a sua mais célebre Carta aos Romanos.

Quem nunca mais esqueceu São Paulo foram os malteses, o seu primeiro evangelizador, sendo os seus habitantes considerados hoje bons católicos, com grande número de sacerdotes e religiosos, muitos deles espalhados pelo vasto mundo missionário. O Papa Pio VII, em 1818, doou um pedaço da coluna à igreja do naufrágio, onde segundo a tradição o apóstolo foi decapitado em Roma.

Malta e as suas ilhas ocupam uma posição privilegiada no centro do Mediterrâneo. Tem uma história que remonta a 4000 anos antes de Cristo, os árabes atacaram a ilha no ano 836, quando estas possessões pertenciam aos bizantinos. Os condes e marqueses de Malta, viam nestas terras apenas um investimento, num momento em que as grandes famílias religiosas se tinham estabelecido nas ilhas, primeiro os franciscanos, depois os carmelitas, os de S. Agostinho, os dominicanos, as Irmãs Beneditinas em Medina e, em 1297, os Cavaleiros de São João saíram de Acre na Terra Santa, por algum tempo ocuparam Chipre, depois Rodes, quando o grande imperador do Santo Império Romano Carlos V lhes ofereceu as ilhas de Malta e os cavaleiros decidiram ocupar Medina, que se tornou a capital.

Os turcos atacaram e devastaram a ilha e, entrando na ilha de Gozo, tomaram todos os habitantes que foram reduzidos à escravidão. Após períodos muito sanguinolentos para ambos os lados, com 8000 tropas provenientes da Sicília os malteses conseguiram afastar os turcos.

Pelo Tratado de Paris de 1802 foi decidido que a Ordem de São João retornaria a Malta.

Os grandes Mestres da Con-Catedral foram autorizados a construir a Igreja conventual da Ordem de São João. Por fora tudo é austero, mas no interior é opulento, com um barroco impressionante em todos os altares e paredes.

O altar mor é feito de Lapis lazuli e mármores muito raros. Os grandes Mestres que morreram em Malta, antes de terminadas as obras da Igreja, foram enterrados na cripta.

Entre os pintores mais famosos que chegaram a Malta, está o genial Michelangelo Merisi Caravaggio, que pintou a Decapitação de São João Batista, a mais importante encomenda que realizou em Malta, a maior de todas as suas obras que sobreviveram e a única que o artista assinou, devido ter sido admitido à Ordem de Malta, estando a obra acabada a tempo das festas da Decapitação, a 20 de agosto de1608. Esta pintura é considerada uma das suas geniais composições, a sua maior obra prima. Também pintou São Jerónimo, óleo sobre tela, talvez executado para o Cavaleiro Fra Ippolito Malaspina, um dos mais influentes membros da Ordem que tinha comandado o contingente de Malta na batalha de Lepanto.

Portugal distingue-se na lista dos Grandes Mestres com dois ilustres, ricos, sábios Grandes Mestres: Manuel de Vilhena, valoroso combatente, da ordem militar, cujas armaduras estão apresentadas no Museu de la Valleta, devido após a morte dos cavaleiros as suas armas tornavam-se propriedade da Ordem;

o outro Grande Mestre foi Emanuel Pinto da Fonseca que governou durante um dos mais longos períodos da Ordem (1741-1773). Apesar de tantos ilustres Grandes Mestres nenhuma outra personagem pode suplantar os cristãos de Malta na estima, devoção e intercessão como o apóstolo São Paulo, ao qual, desde o naufrágio se mostraram muito compassivos e devotos para sempre.

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