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Artigo de Opinião

9/04/2021 08:03

De facto, parece que a perceção cada vez mais se sobrepõe à realidade, entendida como multiplicidade de perceções individualizadas, devidamente agregadas e consensualizadas. Pelo contrário, a simplificação, a opinião desinformada, não sujeita a contraditório, ganha cada vez mais terreno. Uma das principais causas é o acesso direto a factos, sem a mediação dos órgãos de comunicação social tradicionais. O "cidadão-jornalista" faz emergir o "cidadão-ignorante", mas desta feita um "cidadão-ignorante-atrevido", que julga saber e que se coloca ao mesmo nível que os especialistas. Vê-se agora com a questão das vacinas, mas também se viu com as receitas milagrosas para a pandemia e, de resto, sobre todos os demais assuntos que enformam a nossa realidade.

Vem isto a propósito de dois "eventos" que ocorreram esta semana: o estudo de opinião sobre as principais figuras políticas da Madeira, publicadas neste jornal, e a persistência na opinião ignorante por parte de alguns, sobre as intervenções que foram feitas nas ribeiras do Funchal.

Passamos pelas redes sociais, onde uma plêiade de agitadores contratados e outros assalariados fazem o seu campo de batalha e ficamos com a perceção de que os governantes e autarcas do PSD são todos uns incapazes e corruptos; de que o Sistema de Saúde e o Sistema Educativo, principais sorvedouros do orçamento regional, estão em falência, ou que as decisões estão todas erradas. Essa é a perceção com que ficamos se andarmos pelas redes sociais. Ora, vem este estudo de opinião, que nos dá um olhar fugaz da realidade e percebemos que, afinal, a população reconhece e valoriza o enorme trabalho que tem sido feito por Pedro Ramos e pela sua equipa. E não é apenas pelo excelente desempenho no combate à pandemia, é pelas reformas ao nível de funcionamento do sistema que implementou e que se refletem na qualidade do serviço prestado, reconhecido pela população. Pedro Ramos é, de facto, o homem certo, no lugar certo, à hora certa. Percebe-se também que a população valoriza o estilo intrépido com que Miguel Albuquerque tem enfrentado esta pandemia, não temendo decidir, por mais impopulares que sejam as medidas. Ou como os madeirenses percebem o trabalho notável que tem sido feito por Jorge Carvalho à frente da Secretaria de Educação (ainda ontem vimos isso, em mais um debate mensal), com a pacificação do setor - agora, até parece que o início do ano letivo é apenas mais uma etapa, quando até há poucos anos, este era um período caótico para alunos, famílias, docentes e auxiliares -, ou também com as imensas inovações com vista à melhoria da qualificação da nossa população e do sucesso educativo das nossas crianças e jovens.

Perante a perceção, impôs-se, esta semana, um vislumbre de realidade.

Também esta semana voltámos a assistir ao histerismo de alguns contra as intervenções feitas nas ribeiras do Funchal, na sequência do elogio feito por Pedro Calado, que reconheceu o óbvio: elevaram a segurança da cidade, ao aumentar a secção de vazão e a sua velocidade e ao evitar a deslocação de detritos, ribeiras abaixo. Perante a realidade evidenciada pelo Vice-Presidente, ressurgiram algumas vozes que teimam na sua perceção e insistem no atrevimento da sua ignorância. As intervenções foram estudadas e projetadas por pessoas como Betâmio de Almeida, professor catedrático da Universidade de Lisboa/Instituto Superior Técnico e Sousa Cruz, doutorado em Engenharia pela Universidade da Catalunha, e materializadas por um exército de outros profissionais qualificados, que nos garantiam que as intervenções protegeriam as populações e aumentariam o nível da resiliência da capital. Mas o que significava isso, perante a gritaria dos especialistas de Facebook? O que significa o conhecimento de facto, a realidade, perante a perceção histérica?

Estes são apenas dois exemplos que ilustram bem o pensamento de Jalali. Hoje, berramos demais as perceções e debate-se de menos a realidade. Há quem tenha lido um livro - ou não tenha lido nenhum! - e julgue ser possuidor do mesmo nível de conhecimento de um doutor. Isto, como se sabe é a base dos populismos e terreno fértil para a sua propagação. Todavia, ainda há esperança. Afinal, o povo não é imbecil quanto alguns o julgam e consegue diferenciar o trigo do joio. Mesmo que muitos agentes públicos insistam em atirar areia para os olhos!

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