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Artigo de Opinião

Advogado

17/01/2026 08:00

O novo normal é um estado ao qual uma sociedade, se instala após uma crise.

E a pandemia do Covid, trouxe à tona da água as desigualdades que já existiam, aliás tornou-as mais cristalinas.

Alargou o fosso entre ricos e pobres, além intensificar a pujança dos fortes em relação aos fracos.

E isso mudou a forma de pensar e sobretudo de agir das pessoas.

A 2 de março de 2020, Portugal anunciava os seus primeiros casos de COVID-19.

A pandemia entrou rapidamente nas nossas vidas, e os seus efeitos volvidos 5 anos ainda se sentem.

As máscaras continuam a ser uma parte da rotina em determinadas situações do nosso dia-a-dia.

Sou só eu que noto, ou a após a pandemia as pessoas estão, mais intolerantes, egoístas e conflituosas? Então se estiverem ao volante de um automóvel, tornam-se quase que irracionais.

Os jovens, na sua generalidade, vivem e cada vez mais agem com o pensamento apenas na gestão do dia corrente.

Com o fim do confinamento, o mercado da habitação disparou, não só em Portugal, mas em muitos países.

Ter uma casa com condições mais confortáveis, ganhou maior importância.

O teletrabalho obriga a uma habitação com melhores necessidades de acomodação.

Este aumento da procura das habitações, levou ao aumento dos preços, e a escassez da oferta, tornou ainda mais difícil para os jovens e as famílias com rendimentos mais baixos comprarem casa.

O turismo explodiu, e destinos cosmopolitas, com tradição e gosto de receber pessoas, transformaram-se em locais sobrelotados, agigantando sentimentos nacionalistas e protecionistas.

A nível internacional, a competição por recursos, deu origem a tensões e conflitos entre países.

A corrida ao armamento voltou.

Os regimes autoritários utilizaram a crise para controlar e sufocar ainda mais os seus súbditos.

As sociedades democráticas mantiveram as liberdades civis, abrindo o flanco para um grande fluxo de migrantes, em busca de mais humanidade.

O pós-confinamento, intensificou um choque tecnológico, agora alavancado pela IA, e as novas tecnologias de controlo remoto, tornaram os drones o futuro.

O dinheiro é o “valor humano” mais desejado.

Acresce a tudo isto, o efeito que o uso diário e excessivo dos telemóveis já vinham a transformar a nossa perceção do mundo.

Já não existe o respeito pelo espaço do outro, especialmente através de um ecrã de um telemóvel.

O distanciamento social da pandemia, continua presente na atitude de muitas pessoas.

E o aumento da dependência digital, leva a que se deixe de valorizar as relações sociais e familiares, em detrimento da satisfação imediata de um “reel”.

Estes formatos de vídeo curtos e dinâmicos, popularizados pelo Facebook e o Instagram, caracterizam a sociedade de hoje em dia.

As pessoas já não têm paciência para aprofundar relações pessoais, isolam-se cada vez mais, e não querem saber de temas profundos ou complexos.

Querem explicações simplistas e generalistas.

Não é por acaso, que os políticos emergentes utilizam cada vez mais essa técnica.

A nossa capacidade de manter a atenção em algo está a diminuir, e segundo estudos caíram de 2,5 minutos em 2004, para 45 segundos em 2021.

Cerca de 70% em duas décadas. E a tendência vertiginosa da vida moderna é agravar essa realidade.

Será difícil, ler com atenção os cerca de 3500 caracteres que compõem este artigo.

Tudo é imediato e curto.

Este é o “novo normal” e merece uma reflexão profunda de todos nós, nem que seja por cerca de 45 segundos, enquanto esse tempo não diminui.

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