O novo normal é um estado ao qual uma sociedade, se instala após uma crise.
E a pandemia do Covid, trouxe à tona da água as desigualdades que já existiam, aliás tornou-as mais cristalinas.
Alargou o fosso entre ricos e pobres, além intensificar a pujança dos fortes em relação aos fracos.
E isso mudou a forma de pensar e sobretudo de agir das pessoas.
A 2 de março de 2020, Portugal anunciava os seus primeiros casos de COVID-19.
A pandemia entrou rapidamente nas nossas vidas, e os seus efeitos volvidos 5 anos ainda se sentem.
As máscaras continuam a ser uma parte da rotina em determinadas situações do nosso dia-a-dia.
Sou só eu que noto, ou a após a pandemia as pessoas estão, mais intolerantes, egoístas e conflituosas? Então se estiverem ao volante de um automóvel, tornam-se quase que irracionais.
Os jovens, na sua generalidade, vivem e cada vez mais agem com o pensamento apenas na gestão do dia corrente.
Com o fim do confinamento, o mercado da habitação disparou, não só em Portugal, mas em muitos países.
Ter uma casa com condições mais confortáveis, ganhou maior importância.
O teletrabalho obriga a uma habitação com melhores necessidades de acomodação.
Este aumento da procura das habitações, levou ao aumento dos preços, e a escassez da oferta, tornou ainda mais difícil para os jovens e as famílias com rendimentos mais baixos comprarem casa.
O turismo explodiu, e destinos cosmopolitas, com tradição e gosto de receber pessoas, transformaram-se em locais sobrelotados, agigantando sentimentos nacionalistas e protecionistas.
A nível internacional, a competição por recursos, deu origem a tensões e conflitos entre países.
A corrida ao armamento voltou.
Os regimes autoritários utilizaram a crise para controlar e sufocar ainda mais os seus súbditos.
As sociedades democráticas mantiveram as liberdades civis, abrindo o flanco para um grande fluxo de migrantes, em busca de mais humanidade.
O pós-confinamento, intensificou um choque tecnológico, agora alavancado pela IA, e as novas tecnologias de controlo remoto, tornaram os drones o futuro.
O dinheiro é o “valor humano” mais desejado.
Acresce a tudo isto, o efeito que o uso diário e excessivo dos telemóveis já vinham a transformar a nossa perceção do mundo.
Já não existe o respeito pelo espaço do outro, especialmente através de um ecrã de um telemóvel.
O distanciamento social da pandemia, continua presente na atitude de muitas pessoas.
E o aumento da dependência digital, leva a que se deixe de valorizar as relações sociais e familiares, em detrimento da satisfação imediata de um “reel”.
Estes formatos de vídeo curtos e dinâmicos, popularizados pelo Facebook e o Instagram, caracterizam a sociedade de hoje em dia.
As pessoas já não têm paciência para aprofundar relações pessoais, isolam-se cada vez mais, e não querem saber de temas profundos ou complexos.
Querem explicações simplistas e generalistas.
Não é por acaso, que os políticos emergentes utilizam cada vez mais essa técnica.
A nossa capacidade de manter a atenção em algo está a diminuir, e segundo estudos caíram de 2,5 minutos em 2004, para 45 segundos em 2021.
Cerca de 70% em duas décadas. E a tendência vertiginosa da vida moderna é agravar essa realidade.
Será difícil, ler com atenção os cerca de 3500 caracteres que compõem este artigo.
Tudo é imediato e curto.
Este é o “novo normal” e merece uma reflexão profunda de todos nós, nem que seja por cerca de 45 segundos, enquanto esse tempo não diminui.