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Artigo de Opinião

Jornalista

11/04/2024 08:00

Um dia que não esqueço.

Não porque soubesse exatamente o que estava a acontecer e o significado que isso traria para o país e para a região, mas sobretudo pela forma, como na altura, o meu pai deu conta do que se estava a passar.

Recordo-me que lá em casa estávamos a nos preparar para vir ao Funchal. Eu e os meus irmãos vínhamos ao Campo da Barca fazer exames de “raio-X”. Na altura, designava-se popularmente “fazer chapas”. Eram exames para despistar eventuais doenças do foro pulmonar. Nesse tempo, tudo era feito no Funchal. De resto, esse já era, na altura, um bom exemplo do que era necessário fazer-se na região em termos de desenvolvimento.

Nesse tempo, as zonas rurais eram claramente esquecidas, abandonadas em relação ao principal centro urbano, que era o Funchal. Nesse tempo, quem vivia em Santana estava condenado a vir até à cidade se precisasse, por exemplo, de ir ao médico para uma simples consulta ou exame de rotina; para algumas compras ou para prosseguir os estudos para além da quarta classe. No fundo, a distância era brutal para o acesso a bens e serviços. O 25 de Abril veio alterar tudo isto.

Voltando a esse dia da liberdade e da democracia. Lembro-me de quando nos preparávamos para vir para o Funchal, - o meu pai que ligava sempre o rádio logo pela manhã - disse-nos que “estava a acontecer alguma coisa em Lisboa”. Na altura, julgo que por falta de informação, acrescentou que “não sabia bem o que era”, mas reforçava que alguma coisa de muito importante se estava a passar na capital do país. Só muito mais tarde deu para perceber a importância da Revolução.

Nesses tempos, os efeitos também se fizeram chegar a Santana. Mesmo criança, recordo-me de uma grande manifestação no Dia do Trabalhador, que aconteceu ali, nas imediações da igreja local. Sem ter ainda bem a noção que tudo isso representava, a verdade é que dava para entender que aquela gente estava de facto muito empolgada com o facto de passar a ter liberdade. Uma das conquistas de abril e que, com o andar do tempo, foi percebendo o que realmente isso significava para muita gente que querendo não se podia expressar como pretendia.

Abril trouxe democracia, a liberdade e a possibilidade de o povo ter nas suas mãos a escolha de quem governa nos diferentes níveis de poder. No caso da Madeira, abril deu-nos a possibilidade de ter autonomia. Dois anos após a Revolução, a região viu consagrado o seu Estatuto de Região Autónoma. O processo de desenvolvimento - sempre questionável pela forma - começou aí e nunca mais parou.

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