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Artigo de Opinião

AQUINTRODIA

6/01/2026 08:00

Ainda estoiravam as detonações dos festejos do Novo Ano, ainda não se haviam arrumado os fraques e as lantejoulas e já o mundo se surpreendia com mais uma «trumpice».

A invasão dum estado soberano não é novidade. Das grandes potências, quem estiver limpo atire a primeira pedra.

Desta vez, o assunto toca-nos de forma diferente.
A Venezuela é um nome que nos corre nas veias desde que, a partir da década de cinquenta, passou a ser destino de vida de muitos familiares e vizinhos.
Os bolívares chegavam em catadupa, ou para apoio aos que por cá se mantinham, em sustento da saudade, ou nas visitas vistosas dos que vinham buscar casamento, com pompa e festança, ou nos patrocínios de arraiais que eram a demonstração do bem estar e gratidão dos que tinham optado por partir à procura da sorte .Mais tarde, chegaram dias difíceis, pela desvalorização do bolívar, pelos regimes ditatoriais que foram tomando conta dum país de recursos enormes, desbaratados por gestões calamitosas, que se mantinham no poder à custa dumas forças armadas corrompidas e amarradas a interesses altamente vantajosos, para si próprios, familiares e apaniguados, à custa ainda de processos eleitoralistas escandalosamente fraudulentos, de perseguições e violentíssimas transgressões dos mais elementares direitos humanos.
Os que haviam emigrado e conseguido auferir boas condições de património e ocupação, apesar das restrições impostas, que tinham criado estruturas de apoio mútuo, de que era exemplo o Centro Português de Caracas, onde os nosso concidadãos auferiam de segurança e condições conviviais de excelência, esses emigrantes agora inseridos na comunidade venezuelana, sobretudo através das novas gerações nascidas em terras de Bolívar e imbuídas de novos valores e conhecimentos, adaptaram-se às novas circunstâncias, auferindo de patamares de vida confortável, dadas as circunstâncias...

O certo, porém, é que a vida na Venezuela passou a ter restrições penalizadoras, onde passaram a vigorar medidas altamente populistas, a democracia era farsa, e o poder segurava-se também nas ondas dos subsidiados pela desfaçatez dum governo que mendigava apoios a troco dumas migalhas que iam caindo da sua mesa farta.
A oposição a uma ditadura, que já nem se disfarçava, era calada pela ameaça, pelo desaparecimento de figuras incómodas, pela repressão violenta, pela perseguição.

Até que, um dia aparece um Donald, veiculando promessas de retaliação a ações que nem sabemos se inventadas, ou apenas pretexto para satisfação duma vontade de posse e domínio altamente discutíveis, no plano do direito internacional.
No seu estilo sobranceiro, vaidoso, fanfarrão, anuncia a invasão da soberania dum Estado, capturando um governante que, mesmo ditador, teria de beneficiar das prerrogativas definidas em acordos e tratados internacionais.
Mas Donald «goza-o», ri-se, mostra ao mundo a imagem dum homem em decadência, avilta-o, mandando às urtigas os tratados, apenas porque tem a força, tem armamento, tem tropas altamente treinadas e capazes...

Até onde irá um homem, a quem ninguém se opõe, apenas por medo?Hoje, a Venezuela. Amanhã? México, Canadá, Gronelândia, base das Lajes?
Maduro ditador merecia ser destronado? Concedo claramente.
Mas por Trump?
Que legitimidade tem este mandão, com tiques de ditadorzeco?
E o direito internacional, a ONU?

Terá de pôr-se claramente em apreciação, se esta Organização das Nações Unidas, que ora vai enviando uns capacetes azuis para manutenção de paz ou defesa de direitos ameaçados, se não terá esta ONU, face às ocorrências atuais, de ser detentora de uma força mundial, dotada de avançados meios técnicos e humanos, capaz de dissuadir as cada vez mais frequentes e condenáveis agressões e violações dos direitos dos povos e das nações!
A começar pela desnuclearização total e universal!

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