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Artigo de Opinião

Investigador na área da Educação

3/01/2026 08:00

Ser especialista pode considerar-se quem terá um conhecimento aprofundado e sistemático numa área específica, sustentado por formação, investigação e prática, permitindo análise crítica, aplicação rigorosa do saber e produção de conhecimento qualificado. Na realidade, este “saber” acaba remetendo-nos para a existência de uma separação no discurso -em relação ao domínio da intervenção técnica- entre o denominado saber ser (desenvolver a pessoa de forma holística: mente, corpo, sensibilidade, responsabilidade pessoal e espiritual – fomentando a autonomia e o discernimento); do saber fazer (desenvolver competências para agir, lidar com a inovação e a dimensão cognitiva do trabalho e não apenas percorrer a rotina). De forma plenamente assertiva encontra-se esta caracterização, como vocação de mudança e ação, no incontornável, hoje paradigmático, Livro Branco “Quatro Pilares da Educação” (1993) de J. Delors, documento-chave que acompanharia um plano ambicioso para revitalizar a economia europeia, com a educação e a formação como pilares para a criação de empregos e a competitividade no limiar do século XXI.

Regressando a uma análise concetual temos assim, portanto, que esta vocação de saber pode provocar positivamente uma rutura e conduzir de forma saudável a uma inevitável autonomização do individuo. Trata-se, de forma inexorável, ao consequente processo de secularização ou de dessacralização próximo do fenómeno a que M. Weber deu o nome de “desencantamento”. Isto, porque, o Homem acaba descobrindo que depende daquilo que faz e não de alguma transcendência que o conduz.

Assim sendo, à sua dimensão, todos podem, e tornar todos especialistas do saber -é um desafio-, que implica democratizar o acesso ao conhecimento, promover aprendizagem profunda e pensamento crítico. Mais, incentivar a especialização progressiva ao longo da vida, com base no rigor científico e na formação contínua.

Torna-se relevante, ainda, entender que o sentido disciplinar atribuído a este saber radica, não só, no sentido científico -que o mesmo contém-, em consequência da sua natureza reflexiva e critica (própria do pensamento científico); como flui, também, do entendimento que desde os Gregos se atribui à ascese, enquanto prática humana, que visa o autodomínio, o rigor e o aperfeiçoamento, fazendo- se, aqui, uma síntese entre estas duas dimensões.

Torna-se assim, paradigmático refletir, no sentido de saber se não deve apostar-se num maior investimento na investigação e na inovação, porque este é claramente um investimento no futuro. Se pretendemos competir num mundo global e exigente, e assegurar, não desvalorizando o nosso modelo de sociedade e de Estado social, as conquistas até ao presente alcançadas, mantendo ainda os níveis de empregabilidade e de qualidade do trabalho, esta é indiscutivelmente uma aposta fundamental.

O Estado precisa, então, de preparar melhor os seus cidadãos para o mercado de trabalho. Este encontra-se numa permanente mutação e diariamente desafiado, já o sabemos. Trata-se, aliás, de um desafio geracional e uma imperiosa necessidade de esta cidadania se manter ativa nas sociedades europeias, cada vez mais diversificadas cultural e socialmente -mais móveis, globais e, agora, também digitais.

É já do domínio geral que cerca de metade dos atuais postos de trabalho desaparecerão durante os próximos 25 anos e que no seu lugar surgirão novas profissões, que requerem novos saberes. Não olvidemos que os alunos que agora iniciam os seus estudos só entrarão, em média, no mercado de trabalho, após conclusão desses mesmos estudos, na década de 2030 e permanecerão no mercado laboral até 2060/70. Se a dificuldade é prever com esta antecedência as necessidades desse mesmo mercado, mais ainda é começar a percecionar que mudanças tecnológicas estão a ocorrer e a que ritmo. Agora inapelável é que todos aqueles mais bem preparados e devidamente estimulados para o estudo e a novidade enfrentarão melhor o que surgir.

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