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Artigo de Opinião

Gestora de Projetos Comunitários

10/04/2021 08:03

Ainda assim, à minha volta sempre existiu uma espécie de chamada de atenção para aquele que deveria ser 'o comportamento de uma menina'.

Obviamente, não me sentia nada satisfeita quando me diziam que tinha que me comportar 'como uma menina' porque isso implicava que não podia jogar à bola com os meus amigos. Diziam-me que devia brincar 'às bordadeiras' com as minhas amigas, porque "fica feio uma menina jogar à bola com os meninos - Não queres ser chamada de Maria-rapaz, pois não?".

Foi a primeira vez que senti que envergonhava todos à minha volta - por não gostar de brincar às bordadeiras; por realmente preferir jogar à bola. Sentia que era eu quem estava errada, porque a repreensão vinha de um adulto.

Felizmente, não sei bem porquê, mantive a convicção de que teria os mesmos direitos e deveres do que os meus irmãos e os meus amigos (fossem meninos ou meninas) e que podia jogar à bola quando bem me apetecesse.

Mesmo quando cheguei à Faculdade, convenci-me de que estávamos todos em pé de igualdade porque éramos, efetivamente, tratados como iguais.

Porém, no mercado de trabalho, as coisas não eram, não foram, nem são bem assim. Percebi rapidamente que a relação entre as ambições profissionais e pessoais de homens e de mulheres eram (e são) bastante díspares, não por uma questão de capacidade ou competência, mas por uma questão de género.

Sou da geração que sempre acreditou na igualdade. E não estávamos à espera disto. Não fiz parte da primeira geração a ter igualdade de oportunidades, mas sou parte da primeira geração a saber que todas essas oportunidades não se traduzem necessariamente em realização profissional ou pessoal. Continuo a conhecer mulheres, grandes profissionais, excelentes mães, que sentem que "têm que fazer tudo" e acabam por decidir que alguma coisa tem que ficar para trás. Por norma, é a carreira a ficar para trás.

As mulheres não são menos ambiciosas do que os homens, nem são menos capazes. Mas a vida tem muito mais que se lhe diga e a decisão de cada uma de nós deve ser respeitada, seja na priorização da carreira, seja na priorização da vida pessoal.

A boa notícia é que, nos dias desafiantes que correm, as mulheres têm desempenhado cargos fundamentais na luta contra a pandemia, e têm obtido reconhecimento internacional de excelência no exercício de funções. Portanto, o "não sei como ela consegue" reflete apenas medo. Medo das barreiras que enfrentamos; de que não gostem de nós; de fazer as escolhas erradas. Medo de sermos julgadas ou menorizadas por sermos mulheres. Medo do fracasso, de sermos más profissionais, más mães, más esposas.

Conheço bem estes medos. Mas quero deixar aqui uma mensagem a todas aquelas que se conseguem rever, de alguma forma, naquilo que aqui escrevo: sois a promessa de um mundo mais igual.

Por isso, espero que encontrem verdadeiro sentido, paixão e satisfação na vossa vida. Desejo que encontrem o equilíbrio que procuram e que tenham a ambição de lutar pelos vossos sonhos sem medo a serem menorizadas ou julgadas.

Respondam a vós próprias: O que é que eu faria se não tivesse medo?

O que eu faria se não tivesse medo era arriscar-me a motivar cada uma de vós a ser exatamente quem querem ser. Bem hajam.

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