MADEIRA Meteorologia

Artigo de Opinião

Médico-Dentista

11/06/2023 07:45

Bem, também nem tudo foi mau! Os meus filhos, por exemplo, assim que souberam que podia não haver aulas, ficaram eufóricos. Caí no erro de, à frente deles, comentar com a minha mulher uma "notícia" que tinha recebido, em forma de fotografia, no telemóvel. "Madeira evita "correr riscos" e encerra escolas devido a condições meteorológicas adversas". Eles, que quando lhes peço alguma coisa parecem mais surdos que uma porta, endireitaram-se logo no banco de trás e perguntaram que conversa era aquela. "Não vamos à escola amanhã?", provavelmente ressacados de um fim de semana prolongado. "Não sei, foi o que recebi, mas já vou confirmar", afinal de contas aquilo passara a ser uma prioridade para os miúdos. Qual preparação para o teste de estudo do meio? Qual aprender a escrever o nome sem ser copiado ou a contar até mais de dez? Qual quê?!

Pedi ajuda à minha "máquina da verdade". Não demorou 1 minuto. Era verdade. Pois era. Era verdade que era fake. Tudo não passava de uma notícia falsa. E sim, cabia-me a responsabilidade de transmitir isso ao Caetano e à Eduarda. O mundo deles desmoronou ali. "Mas quem é que te disse isso? Foi o Edmar (não vou dizer o sobrenome para não o expor, mas garanto que não é Alho). Ele sabe lá?". "Sabe meninos, acreditem". "Oh, eu cá não vou", disse a manda chuva de 8 anos. "Eu também não", solidarizou-se o trovão de 5. "Ai não que não vão…" retorquiu a anticiclone de 39. De repente estava instalada a tempestade perfeita!

Talvez por isso, sei lá, o senhor secretário da Educação sentiu-se na obrigação de anunciar que as escolas iriam manter o seu normal funcionamento e, no final do primeiro dia útil da semana, ponderariam então se os estabelecimentos de ensino reabririam na terça-feira ou não. Pronto. Esclarecidos que ficaram, só lhes restava cantar. E cantaram. Ensaiaram vezes sem conta aquela marchinha de carnaval "Tomara que chova três dias sem parar". Já não os podia ouvir!

O que é certo é que as preces foram ouvidas, não só por mim, mas por mais alguém, e a "gazeta" foi concedida. Vocês deviam ter visto! Colados à tv, como habitual, mas desta vez com os olhinhos a brilhar… Coitados dos anjos! "Quem é este senhor, pai?". "É o senhor que manda nas escolas. Chama-se Jorge Carvalho". (Chiça. Quase que era primo dos outros 2) "Ele é do governo, papá? Podemos votar nele?" Não sei se eles já ouviram falar do voto antecipado, mas temo que não possa ser assim tão cedo. Ainda assim não fui capaz de lhes tolher o entusiasmo: "claro que sim"!

Sempre pode ser que um dia venham a ser premiados funcionários públicos. E logo num qualquer serviço não essencial. É que estes, à semelhança deles, também tiveram direito à semana intermitente. Trabalharam segunda, descansaram terça, trabalharam quarta, descansaram quinta e, por fim, trabalharam sexta. Ufa. Uma canseira. Só tenho pena é dos essenciais. Desgraçados daqueles 2 ou 3! Não tarda entram em Burnout. Enfim…

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