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Artigo de Opinião

Advogada

10/03/2021 08:03

Nem todas as mulheres têm as mesmas oportunidades, porquanto se encontram inseridas em meios sociais distintos que não lhes concedem as mesmas ferramentas que lhes permitirão construir um mundo novo. Daí que não possamos afirmar que basta à mulher querer para ser operária, executiva, advogada, juíza, diretora, ministra! Infelizmente para muitas mulheres não basta querer…!

Sei que muitas quiseram e não conseguiram… e sei que muitas, ainda, estão a trabalhar, mais do que se possa imaginar, para que aconteça um mundo que não olhe para elas, apenas, pela cor do cabelo, da pele, da roupa, dos sapatos, da aparência…, almejam que o nosso olhar se foque na sua Pessoa, capaz de oferecer um extraordinário contributo à sociedade. Desejam estudar, aprender e esforçam-se, tremendamente, para que não recaia sobre cada uma delas um estigma, um anátema que tem origem numa superficialidade mundana.

A sociedade tem que criar os adequados mecanismos para que uma menina que vive numa zona recôndita consiga um dia ingressar num curso superior ou escolher uma profissão que a autonomize, que a torne independente e, com a ajuda de Deus, senhora do seu destino!

Penso em todas as meninas a quem não foi lida uma história para adormecer, a quem ninguém pecou ao colo, que foram abusadas, psicologicamente maltratadas, em todas as meninas que têm uma história de vida semelhante à que foi retratada no livro "O Fim da Inocência" de Francisco Salgueiro e trazido ao cinema por Joaquim Leitão … estarão estas meninas, hoje mulheres, capazes de determinar a sua vida ou estará a sua vida determinada por outros? Não sei…, apenas sei que esta realidade continua a existir e a sociedade (cada um de nós) tem que dar o seu melhor para que estas mulheres percebam que são pessoas extraordinárias, que não têm culpa de rigorosamente nada e que conseguirão transformar aqueles momentos dolorosos em atos de firmeza, de resiliência, de determinação, que lhes permitirá alcançar que cada uma delas leva consigo "o mar nos olhos / pela grandeza da imensidão da alma", constituindo "um lindo sorriso de Deus" capaz de dar início à mudança da não secundarização do papel da mulher!

Não olvidemos que as mulheres (mãe, esposa, filha, irmã, trabalhadora, consagrada) são um farol para a humanidade, pela sua harmonia, generosidade, pela sua persistência, pela sua intuição, pela sua dedicação, pelo seu cuidado. Conciliam a razão, com o sentimento e com a fé, pugnando pela existência de instituições ricas de humanidade. Conseguem gerir conflitos com absoluta mestria, dialogando, sistematicamente, com o limite, sempre, com um grande sorriso!

Ainda assim, as mulheres continuam a ter que trabalhar mais cinquenta e quatro dias que os homens, para auferirem o mesmo salário, e continuam a ser preteridas nas promoções de muitas empresas e afastadas dos Conselhos de Administração.

Continuemos o caminho de valorização da mulher, principalmente das que se encontram inseridas em zonas recônditas da sociedade e do mundo… e o homem é uma parte tão importante dessa valorização! Que assim seja!

Que nunca se olvide que "As mulheres são como as ilhas: sempre longe, mas ofuscando todo o mar em redor" - Mia Couto!

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