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Artigo de Opinião

Farmacêutico Especialista

1/05/2024 08:00

A 20 de Setembro de 1997, é lançado o 3º albúm de Björk – Homogenic. Uma obra prima, e como tal intemporal, de uma riqueza musical e artística ímpar.

Para quem gosta de música é impossível ficar indiferente a Unravel – Jóga – Bachelorette (a minha música favorita de Björk) e All is Full of Love, provavelmente a mais conhecida.

Hoje em dia o espectro musical das nossas rádios é paupérrimo, é muito difícil ouvir boa música na rádio, eu confesso-me um ouvinte e defensor da rádio, mas manifesto a minha total desilusão pelo quadro geral. As músicas que passam em loop nas rádios daqui a 3 anos ninguém se lembrará delas (e estou a ser muito generoso), e facilmente esquecemos que uma obra musical deverá ser uma peça de arte completa.

Assumo que ouço todo o tipo de música (sou eclético ao ponto de ouvir o saudoso Dino Meira, até à Ballade Nº2 em F maior, Op38 de Chopin) e gosto de todo o tipo de música, desde que com um mínimo de qualidade, que seja uma forma de arte ou nalguns casos de entretenimento. Fui mal-habituado confesso, a minha rádio de eleição era a VOXX 91,6 Lisboa, a tal “rádio amarela, num país cinzento”, para mim a luz do éter, e como tal a qualidade e arte eram apanágios do que por lá se ouvia. Refogado de hortelã, era o meu programa matinal, e por lá Björk era presença habitual.

Quando em Agosto de 2001 Vespertine observa a luz do dia através do seu Pagan Poetry e Hidden Place, sentimos uma evolução e a introdução marcada de outras sonoridades, atenção que a própria Björk assume que All is Full Of Love não era a última faixa de Homogenic, mas a primeira de Vespertine em termos de estilo.

Chegamos então a um dos melhores concertos de sempre, a 6 de Setembro de 2001 na Riverside Church, uma igreja manifestamente inclusiva Björk Guðmundsdóttir, celebra a música com uma Harpa nas mãos de Zeena Parkins e um coro de 12 mulheres Inuit.

As músicas de Homogenic e Vespertine ecoam pela nave e quem com atenção ouviu percebeu que a mensagem era a celebração do Amor.

O Amor tem de estar presente em tudo o que fazemos, o Amor deverá ser o fio condutor da nossa vida, “tudo está cheio de Amor, tu simplesmente não estás a receber”. A certeza que um dos nossos maiores inimigos mora dentro de nós, é fruto de paixões e desejos que coartam a liberdade necessária para Amar, pois Amar é viver. É curioso como na maior parte dos conflitos, das divisões, o pensamento base para a criação de ódio e divisão, não é inato, não nasce de uma tendência natural do espírito, e muito menos nos é natural, parte sim de um exercício mental criado na maior parte das vezes por outrem, e é sempre contrário à Vida, não esqueçamos que Amar é viver.

Passados 5 dias, na mesma ilha, Manhattan, o Mundo muda para sempre, o 11 de Setembro de 2001 ocorre, e o Mundo que se queria de Paz e Amor, fica aprisionado a um ódio latente, ao terror do inimigo invisível, à guerra sem ideal.

Necessitamos urgentemente, num Mundo tão pequeno, perceber que o Amor é o único caminho para o Homem, pois sem Amor o Homem não tem futuro. O mais curioso é que o Amor é verdadeiramente omnipresente, nós de forma consciente optamos por nos deixar conquistar por Paixões, permitindo espaço ao ódio, vendemos a Liberdade e por ora o Amor, a troco de paixões que não são verdadeiramente nossas. Eu acredito num caminho de união, de fraternidade, consubstanciada em Amor, acredito que existe espaço para todas as diferenças, e é nessa miríade de seres humanos diferentes com as suas vicissitudes que reside a maior Equidade de todas, a capacidade de Amar.

“O homem é perecível. Talvez. Mas pereçamos, ao menos, resistindo, e se for o Nada que nos está reservado, mostremos que isso é injusto.” Obermann, carta 90, (Apud- Cartas a um amigo Alemão- A.Camus)

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