O secretário-geral do PCP elogiou hoje a presidência aberta realizada por António José Seguro na zona centro do país, considerando que contribuiu para expor a realidade após as recentes intempéries e para “desmontar a propaganda” do Governo.
Paulo Raimundo assumiu esta posição em declarações à agência Lusa, depois de ter visitado uma associação de reformados de Alcácer do Sal e reunido com os Bombeiros Mistos também deste município do distrito de Setúbal. Dois encontros que se enquadraram na iniciativa do PCP intitulada “Intempéries 2026”.
“A realidade que verifiquei uma vez mais, agora em Alcácer do Sal, é que, para além dos anúncios, das promessas, dos protocolos assinados e disso tudo, as ajudas prometidas e muito anunciadas pelo Governo não chegam. É isso a que estamos a assistir”, declarou o líder dos comunistas.
Paulo Raimundo referiu depois que esta sua iniciativa em Alcácer do Sal não foi marcada “a reboque” da recente presidência aberta realizada na semana passada pelo chefe de Estado, António José Seguro, na zona centro do país, mas admitiu que se “encaixa nessa dinâmica de também ir ao terreno”.
Questionado sobre a análise que faz aos resultados dessa presidência aberta realizada por António José Seguro, o secretário-geral do PCP elogiou-os.
“Elogio a iniciativa, até porque acompanha o que estamos a fazer também no terreno e que, no fundo, é verificar como tudo está e não permitir que esta situação caia no esquecimento. Estamos também a demonstrar a realidade. A propaganda foi muita e os apoios custam a chegar a quem precisa deles”, sustentou Paulo Raimundo.
Para o secretário-geral do PCP, em termos de consequências, a iniciativa do Presidente da República “teve a vantagem de acabar por expor publicamente as contradições”.
“Por outro lado, até pelo peso institucional que o Presidente da República tem, acaba por pressionar a que os anúncios se transformem em realidade”, completou.
De acordo com Paulo Raimundo, nos encontros que teve com pensionistas e bombeiros de Alcácer do Sal, “confirmou-se aquilo que o PCP tem denunciado”.
“Verificam-se atrasos e uma tentativa de limitação ao máximo por parte das seguradoras de responderem às suas obrigações. Por outro lado, são feitos anúncios, as candidaturas são abertas, as pessoas candidatam-se, as instituições candidatam-se, mas, depois, desesperam por esse dinheiro que foi prometido e que nunca mais chega”.
Neste contexto, Paulo Raimundo acusou o Governo de estar a fazer “uma brutal operação de propaganda”, pretendendo fazer passar a mensagem de que, ao fim de dois anos de executivo PSD/CDS, o país está melhor.
“Mas a realidade é exatamente ao contrário daquilo que está a ser propagandeado todos os dias”, defendeu.
Em relação ao debate parlamentar quinzenal com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, o secretário-geral do PCP afirmou que vai tentar “levar a realidade da vida em confronto com a propaganda do Governo”.
“Se há coisa de que o país está a precisar, se há coisa que aqueles que põem o país a funcionar precisam, é de respeito, dignidade, salários, estabilidade, tempo para viver e reconhecimento do seu esforço. Tudo ao contrário do que o Governo está a fazer e tudo ao contrário do que o Governo está a procurar impor, desde logo com a obsessão do pacote laboral de mais precariedade, mais desregulação dos horários e mais pressão sobre os salários”.
Na quarta-feira, no parlamento, segundo o secretário-geral do PCP, “esta contradição vai ter de ser exposta” no debate.
“E o primeiro-ministro vai ter de nos explicar - não vai conseguir, mas devemos dar essa oportunidade para tentar explicar - quais são as grandes virtudes do seu pacote antilaboral”, acrescentou.