O PCP realizou hoje uma iniciativa política no centro do Funchal, defendendo “a atribuição do subsídio de insularidade aos trabalhadores do setor privado”, como forma de “compensar os custos acrescidos de viver e trabalhar numa Região ultraperiférica, mas também como medida de valorização salarial e combate às desigualdades entre trabalhadores”.
Durante uma ação de contacto com a população, o dirigente do PCP Ricardo Lume denunciou “a crescente disparidade salarial existente entre os trabalhadores do setor público e os trabalhadores do setor privado na Região Autónoma da Madeira”. Nesta perspetiva Ricardo Lume, apoiou esta sua denuncia apontando que “estudos recentes revelam que, em média, os trabalhadores do setor público recebem mais 791 euros por mês do que os trabalhadores do setor privado”, salientando que, nos últimos anos, “os salários da Administração Pública cresceram cerca de 479 euros, enquanto os salários do setor privado aumentaram apenas 192 euros”.
Na iniciativa promovida pelo PCP, o dirigente reiterou que “o problema não está nos aumentos salariais da Administração Pública, mas sim na estagnação dos salários no setor privado e na existência de critérios diferentes para situações iguais”, lembrando que “todos os trabalhadores da Região enfrentam custos de insularidade. No entanto, os trabalhadores da função pública recebem um subsídio anual de 662 euros para compensar esses custos, enquanto os trabalhadores do setor privado, apesar de enfrentarem exatamente os mesmos encargos, não recebem qualquer apoio”, afirmou.
Com essa problemática em perspetiva, Ricardo Lume considerou que “esta situação aprofunda o fosso salarial entre trabalhadores e cria uma injustiça social inaceitável”, exemplificando esta perspetiva “com o caso de dois trabalhadores que recebem o salário mínimo, um do setor público e outro do setor privado”, apontando que “o trabalhador da função pública, através do subsídio de insularidade, beneficia de um aumento anual equivalente a cerca de 4,8% do seu salário, enquanto o trabalhador do setor privado não recebe qualquer compensação”.
Para o PCP, “na Madeira não podem existir madeirenses de primeira e madeirenses de segunda”, sublinhando que “se todos os trabalhadores suportam os custos da insularidade, todos devem ter direito ao respetivo subsídio, por razões de justiça e também de necessidade”.
Ricardo Lume, perante a realidade vivida, e apontando para a “intenção do Governo PSD/CDS de avançar com alterações à legislação laboral através do chamado Pacote Laboral”, apelou à participação dos trabalhadores da Região na Greve Geral do próximo dia 3 de junho, apontando que esta “será uma oportunidade para os trabalhadores manifestarem a sua rejeição ao Pacote Laboral e reivindicarem a atribuição do subsídio de insularidade a todos os trabalhadores da Região, independentemente de trabalharem no setor público ou privado”.