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Morreu a investigadora de Literatura Maria Alzira Seixo, aos 84 anos

Data de publicação
20 Janeiro 2026
15:27

A investigadora de Literatura Portuguesa Maria Alzira Seixo, 84 anos, morreu hoje de madrugada, disse à agência Lusa o ensaísta Manuel Frias Martins, presidente da Associação Portuguesa de Críticos Literários.

Frias Martins era colega da Maria Alzira Seixo nos júris dos prémios literários Fernando Namora e Revelação Agustina Bessa-Luís, assim como do Prémio Vasco Graça Moura/Cidadania Cultural, atribuídos anualmente pela Estoril Sol.

Maria Alzira Seixo foi professora catedrática na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL), e venceu por duas vezes o Prémio P.E.N. de Ensaio: em 1987, pela obra “A Palavra do Romance” e, em 2002, por “Outros Erros”.

Entre os seus títulos conta-se a obra de análise “Os Romances de António Lobo Antunes”.

Sócia da Academia das Ciências de Lisboa (ACL), era membro de outras academias, entre elas a Europaea.

Na sua nota biográfica, a ACL refere que “teve lugar de destaque no panorama internacional dos estudos literários e humanísticos, tendo dirigido várias associações, nacionais e internacionais”.

Segundo a ACL, publicou 11 livros, nomeadamente sobre as suas áreas de investigação: Literatura Francesa, Literatura Portuguesa e Literatura Comparada.

A ACL realça “os estudos que produziu no âmbito do seminário internacional ‘A Viagem na Literatura’, e os que dedicou quer a José Saramago, de cujo Nobel foi uma das principais promotoras, e António Lobo Antunes, de que foi responsável pela edição da sua obra ‘ne varietur’ [de 2002 a 2008]”.

Além da FLUL, a investigadora lecionou como professora convidada em França, na Polinésia Francesa e nos Estados Unidos da América.

Maria Alzira Semião dos Santos Seixo nasceu no Barreiro, a 29 de abril de 1941, e foi aluna dos escritores Vitorino Nemésio e David Mourão-Ferreira na FLUL.

Em meados da década de 1960, em Paris, estudou na Escola Prática de Altos Estudos, onde foi aluna de Roland Barthes que coorientou a sua tese com Algirdas Julius Greimas.

Em 1966 tornou-se docente do Departamento de Literatura Francesa na FLUL, que dirigiu entre 1996 e 1998, tendo dado início à construção do edifício da biblioteca.

A catedrática criou e dirigiu as revistas Ariane, de estudos franceses, e a Dedalus, da Associação Portuguesa de Literatura Comparada, instituição que fundou em 1986. Colaborou com a revista Colóquio/Letras e com o Jornal de Letras, Artes e Ideias, e em várias revistas estrangeiras.

Em 2001 aposentou-se da atividade profissional na FLUL, onde continuou como membro do seu Centro de Estudos Comparatistas.

Atualmente, dirigia a coleção “António Lobo Antunes – Ensaio”, na LeYa, que publica teses sobre a obra do escritor.

Maria Alzira Seixo foi condecorada, por duas vezes, pelo Governo francês, com a Ordem das Palmas Académicas e Portugal condecorou-a com o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.

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