O rio Douro transbordou hoje de madrugada para as margens do Porto e de Nova de Gaia, com a água a entrar na zona das esplanadas, sem causar para danos significativos, disse o comandante adjunto da Capitania do Douro.
Num ponto de situação à agência Lusa cerca das 06:45, Pedro Cervaens atribuiu a subida do caudal do rio Douro à chuva intensa que se fez sentir no interior norte de Portugal e em Espanha.
“Hoje o rio subiu até os 6,15 metros de cota no Cais dos Banhos [zona de referência]. É a primeira vez que atinge esta cota tão alta. Portanto, já passou ali o cais da Ribeira [Porto] e Afurada [Gaia]. Está perto das esplanadas, mas não temos informação de qualquer ocorrência assim de significado”, disse.
Reforçando não ter conhecimento de “situações complicadas”, o comandante adjunto da Capitania do Douro recordou que os acessos já tinham sido condicionados e os bens acautelados.
“Vamos ver agora as próximas horas e os próximos dias como é que isto se mantém, porque a cota subiu desta forma devido ao aumento muito significativo das descargas. Já ultrapassamos, na barragem de Crestuma, os 7 mil metros cúbicos por segundo pela primeira vez também”, descreveu.
Pedro Cervaens referiu que embora o litoral não tenha sentido muito, houve muita chuva no interior e em Espanha, o que fez aumentar o caudal não só do rio Douro, mas de todos os afluentes.
“Estão a debitar mais e, por isso, há muita água que aporta ao caudal. As barragens não têm outra hipótese se não debitar água”, concluiu.
Dez distritos de Portugal continental, a costa norte da Madeira e o Porto Santo estão hoje sob aviso laranja - o segundo mais grave - por causa da agitação marítima, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
De acordo com o IPMA, devido à agitação marítima a costa norte da Madeira e o Porto Santo estão sob aviso laranja até às 15:00 de hoje, um alerta que estará em vigor até ao meio-dia de sábado nos distritos de Viana do Castelo, Porto e Beja.
Portugal está a ser afetado pela passagem da depressão Leonardo, com chuva persistente e por vezes forte.
Doze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo decretou situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.