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“Foi a ideia mais louca que tive”, diz Marcelo sobre retrato oficial feito por Vhils

Data de publicação
04 Março 2026
20:25

Marcelo Rebelo de Sousa considerou hoje que a escolha de Vhils para fazer o seu retrato oficial foi “a ideia mais louca” que teve como Presidente, marca uma viragem e simboliza “o triunfo da democracia”.

A obra de Alexandre Farto, que assina como Vhils, foi hoje apresentada numa curta cerimónia, no Museu da Presidência da República, com a presença do artista, cinco dias antes de Marcelo Rebelo de Sousa cessar funções como chefe de Estado.

O artista usou camadas de recortes de jornais de 2016 a 2026, sobrepostos e esculpidos, para formar a imagem do rosto de Marcelo Rebelo de Sousa, sorridente – apenas o rosto, em grande dimensão, e não o corpo inteiro.

“Visto de perto é completamente diferente. E podemos ver, quem tiver paciência, ali o retrato de alguém que foi primeiro-ministro comigo [António Costa], ali problemas dos fogos, ali problemas da pandemia, está por lá, por baixo”, apontou o Presidente da República, em declarações aos jornalistas.

Questionado se ficou satisfeito com a obra, Marcelo Rebelo de Sousa respondeu: “Fiquei muito satisfeito – não é satisfeito, é muito satisfeito – e ao mesmo tempo a dizer para mim mesmo que foi a ideia mais louca que tive em 10 anos de mandato”.

“Eu sou considerado muito original. Esta foi a minha maior originalidade. Quer dizer, tive muitas originalidades, mas esta foi de longe a maior”, acrescentou.

Segundo o chefe de Estado, quem visitar com calma a galeria de retratos de presidentes verificará que este marca uma viragem: “Eu muitas vezes dizia que é que aos 50 anos de democracia virou-se um ciclo. E aqui quem virou o ciclo foi o Vhils, foi ele”.

A sua ideia, explicou, “era ter aqui uma representação de um período histórico” em que teve a responsabilidade de chefiar o Estado português – “como Pomar tinha representado uma época diferente e como Paula Rêgo tinha representado uma época diferente”, nos retratos de Mário Soares e de Jorge Sampaio.

“Eu gostei muito. Muito, muito, muito. É o que interessa, porque corresponde àquilo que eu queria que representasse”, reforçou.

Marcelo Rebelo de Sousa realçou que Vhils veio da arte urbana, de “uma situação de luta pela afirmação” e descreveu-o como “um triunfador coerente com os seus ideais”.

Nesse sentido, considerou que a obra hoje apresentada “é um retrato de uma sociedade aberta” e simboliza “o triunfo da democracia”.

O Presidente da República contou que inicialmente a resposta do artista foi negativa, mas depois aceitou fazer o seu retrato e perguntou-lhe como queria ser representado.

A sua resposta foi “com o peso dos dois mandatos”, do que se passou em Portugal, na Europa e no mundo nesses dez anos.

“Eu devo dizer que eu sou um otimista não excessivo, para usar uma expressão moderada, mas realista. Mas sou um otimista. Mas não estava num momento particularmente otimista”, enquadrou.

Passado algum tempo, quando viu um esboço, a sua reação foi: “Mas que acabadinho que eu estou”.

Na opinião do chefe de Estado, ficou “ligeiramente menos acabadinho” na versão final, em que aparece representado “por uma cara só, não por um corpo, por uma cara”, mas que “tem ao lado vivências de um determinado período, de uma vida, um tempo, escavadas, trabalhadas”.

“Fiquei muito satisfeito, mas estive uma noite inteira a meditar sobre o retrato, que é muito forte. É muito, muito, muito forte. E nesse sentido pensei: de facto foi a coisa mais louca que fiz, mas ainda bem que fiz”, concluiu.

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