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Estudo avisa que Norte vai ser a região mais afetada por tarifas de Trump

Data de publicação
30 Janeiro 2026
8:27

O Norte vai ser a região “mais afetada” por uma guerra comercial com as tarifas da administração Trump, registando uma quebra de quase 3.300 empregos, devendo merecer do Governo atenção “especial”, revela um estudo da Associação Comercial do Porto.

O documento, a que a Lusa teve hoje acesso, alerta que se pode afirmar, “com elevado grau de certeza, que a região Norte será a mais afetada”, algo explicado “pela concentração de uma parte relevante das atividades mais impactadas pela subida das tarifas dos Estados Unidos da América - EUA (com exceção dos produtos petrolíferos e relacionados)”, pedindo-se, por isso, um “foco especial” na atuação do Governo.

O estudo da Faculdade de Economia da Universidade do Porto alerta que, no cenário analisado, a região Norte vai concentrar “mais de 36% do impacto negativo na produção (acima dos 300 milhões de euros), mais de 45% ao nível do VAB [Valor Acrescentado Bruto] (acima dos 120 milhões de euros), quase metade no que respeita às remunerações (mais de 50 milhões de euros) e bem mais de metade (quase 55%) no que se refere ao emprego (uma quebra de quase 3.300 postos de trabalho)”.

A investigação Alterações Geopolíticas e Guerra Comercial – Cenários, Impactos e Recomendações na Política vai ser apresentada na segunda-feira, às 15:00, no Palácio da Bolsa e surgiu em resposta “ao desafio lançado pela Associação Comercial do Porto – Câmara de Comércio e Indústria (ACP-CCI) para analisar os possíveis impactos da guerra comercial desencadeada pelas decisões sobre tarifas da administração Trump”.

A atuação do Governo “deverá ter em atenção os impactos regionais assimétricos, devendo a região Norte ter um foco especial, por ser a mais negativamente afetada em todas as variáveis económicas analisadas”, avisa o documento.

Para o presidente da ACP, Nuno Botelho, o estudo “confirma, com base científica rigorosa, o que muitas empresas já começam a sentir no terreno, designadamente que a crescente instabilidade do comércio internacional tem efeitos assimétricos e penaliza de forma particular regiões com forte base industrial e exportadora, como o Norte do país”.

Em declarações à Lusa, o responsável frisou que “antecipar estes impactos é essencial para que empresas e decisores políticos possam reagir atempadamente e com medidas eficazes”.

A recomendação do documento é que, “no curto prazo, o Governo deverá dar uma atenção particular aos setores mais expostos ao aumento das tarifas dos EUA e ao possível abrandamento económico europeu”.

Estes devem “ser objeto de apoios públicos seletivos, com base num diagnóstico rigoroso e na auscultação empresarial, visando evitar quebras de procura, produção e emprego e elevar a eficácia das empresas exportadoras afetadas”.

As empresas devem, diz o documento, procurar a “diversificação de mercados”.

“O início, integração ou desenvolvimento de alianças estratégicas constitui uma das vias mais promissoras, importando, em geral, explorar o potencial adicional da pertença ao Mercado Único Europeu e as relações especiais com países africanos e da América Latina”, assinala.

“Estas ações fariam sentido mesmo sem a alteração da política tarifária dos EUA, tendo em conta que a concentração geográfica das exportações portuguesas é claramente excessiva”, sustentam.

Por outro lado, “deverá incentivar-se a adaptação estrutural das empresas, para reduzir de forma clara as falhas de competitividade”.

Para o documento, devem ser “particularmente relevantes os incentivos à inovação, diferenciação, modernização tecnológica e digitalização; possíveis alterações fiscais (eliminação da derrama estadual ou a redução do IRC) e o reforço das infraestruturas logísticas (investimento em portos), a par do apoio às pequenas e médias empresas (com o desenvolvimento de programas específicos).

Será também “importante” “uma adequada resposta ao nível das políticas públicas, com a reação de Portugal a acompanhar, em primeira linha, os esforços a nível europeu”.

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