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Ucrânia: Rússia declara como "indesejável" centro de estudos britânico Chatham House

JM-Madeira

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Data de publicação
08 Abril 2022
15:52

As autoridades russas declararam hoje o centro de estudos britânico Chatham House como uma entidade "indesejável", uma medida destinada a interromper as atividades desta organização na Rússia devido ao conflito entre o Ocidente e Moscovo sobre a Ucrânia.

O Ministério Público russo disse num comunicado que "decidiu declarar como indesejáveis no território da Rússia as atividades da organização não-governamental (ONG) internacional Royal Institute of International Relations", mais conhecida como Chatham House e com sede em Londres.

"Foi estabelecido que as atividades desta organização britânica representam uma ameaça à ordem constitucional e à segurança da Rússia", acrescentou, sem, no entanto, especificar em que elementos se baseia tal conclusão.

O Ministério Público russo disse que notificou o Ministério da Justiça para adicionar a Chatham House à lista de organizações "indesejáveis" para tornar a medida efetiva.

Fundada em 1920, a Chatham House é um 'think tank’ (grupo de reflexão) respeitado em assuntos internacionais cujo trabalho é regularmente citado pela comunicação social.

Uma lei promulgada em 2015 pelo Presidente russo, Vladimir Putin, torna possível designar organizações estrangeiras ativas na Rússia como "indesejáveis", sejam organizações civis, fundações ou empresas, que podem ser interditas e os membros processados.

Esta lei complementa outra, aprovada em 2012, que permite classificar como "agente estrangeiro" as organizações que beneficiam de financiamento externo e que exercem uma "atividade política", um conceito vago que tem sido interpretado como uma forma de reprimir as vozes críticas.

Esses dois instrumentos são usados regularmente pelas autoridades russas para impedir ou acabar com a atividade dos meios de comunicação ou ONG que os perturbam, como foi caso do 'think tank' norte-americano Atlantic Council, em 2019.

A decisão sobre a ONG Chatham House é o resultado das tensões crescentes entre Moscovo e os países ocidentais, incluindo o Reino Unido, sobre a intervenção militar da Rússia na Ucrânia.

Em 24 de março, o 'think tank' britânico organizou um painel de discussão para debater a eficácia das sanções ocidentais contra Moscovo.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que matou pelo menos 1.626 civis, incluindo 132 crianças, e feriu 2.267, entre os quais 197 menores, segundo os mais recentes dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real de vítimas civis ser muito maior.

A guerra já causou um número indeterminado de baixas militares e a fuga de mais de 11 milhões de pessoas, das quais 4,3 milhões para os países vizinhos.

Esta é a pior crise de refugiados na Europa desde a II Guerra Mundial (1939-1945) e as Nações Unidas calculam que cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

Lusa

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