A presidente em exercício da Venezuela, Delcy Rodríguez, reafirmou hoje “lealdade absoluta” a Nicolás Maduro, o chefe de Estado detido nos Estados Unidos desde janeiro após uma operação militar norte-americana no país.
Rodríguez ratificou lealdade a Maduro e ao povo venezuelano face a “ataques de mesquinhez e irracionalidade” que disse sofrer desde que assumiu as funções.
Durante uma cerimónia no estado de Carabobo, no norte da Venezuela, Rodríguez defendeu a estabilidade nacional acima de “qualquer interesse pessoal ou partidário”.
A presidente em exercício reafirmou também o “compromisso inabalável com o projeto bolivariano”, fundado pelo antecessor de Maduro, Hugo Chávez, com base nos princípios do venezuelano Simón Bolívar (1783-1830), considerado o libertador da América Latina.
Rodríguez disse que as “acusações pessoais são irrelevantes perante a tarefa de garantir o futuro e a independência da Venezuela”, e assegurou que o seu trabalho não tem por base “cálculos pessoais”.
Disse também que assumiu “riscos e perigos” quando aceitou substituir Maduro para proteger a Venezuela e a família.
“Dei um passo em frente e disse que o fazia pela Venezuela, e faço-o pela Venezuela”, afirmou, segundo a cadeia de televisão venezuelana Telesur, citada pela agência espanhola Europa Press (EP).
“Não me cansarei de o fazer”, assegurou Rodríguez, 56 anos, vice-presidente de Maduro desde 2018.
A atual líder da Venezuela fez um apelo à unidade nacional e convidou “todos os setores a opinar e trabalhar juntos a partir do reconhecimento mútuo”.
Afirmou que o executivo “não tem inconvenientes em somar esforços com diversos atores para fazer o país avançar”, argumentando que a “Venezuela requer a integração de todas as vontades”.
Nicolás Maduro, 63 anos, foi retirado à força da Venezuela juntamente com a mulher, Cilia Flores, durante uma operação militar ordenada pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Yrump, para executar mandados de detenção da justiça norte-americana.
Ambos foram acusados de tráfico de droga e posse de armas.
As autoridades norte-americanas justificaram a operação de 03 de janeiro para capturar um chefe de Estado no próprio país com o argumento de que não reconheciam Maduro como presidente legítimo devido a fraudes eleitorais.
Delcy Rodríguez também considerou insólito que as autoridades da Guiana questionem o uso do mapa oficial da Venezuela que inclui o território de Essequibo.
Insistiu em reivindicar os direitos dos venezuelanos sobre Essequibo, que disse serem “históricos e irrefutáveis”, além de fundamentados “na legalidade do Acordo de Genebra de 1966”.
Rodríguez fez referência ao Presidente da Guiana, Irfaan Ali, que a criticou por ter usado um alfinete de peito com um mapa da Venezuela que incluía Essequibo.
A região em causa ocupa dois terços do território da Guiana e é reivindicada por Caracas.
Ao criticar a dirigente venezuelana, Ali qualificou o gesto como “uma afirmação calculada e provocadora de uma reivindicação que a Guiana rejeitou de forma sistemática e legítima”.
Afirmou ainda que a questão de Essequibo “se encontra nas mãos do Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) para resolução definitiva”.
A Guiana considera que o território foi adquirido pelo Reino Unido através de um acordo com os Países Baixos em 1814 e que a Venezuela tem de aceitar as fronteiras marcadas na Sentença Arbitral de Paris de 1899.
Em 2018, a Guiana solicitou ao TIJ, o principal órgão judicial da ONU com sede em Haia, nos Países Baixos, que mediasse o conflito com base na sentença de Paris, a qual não é reconhecida pela Venezuela.