Um novo ataque aéreo israelita atingiu ao início da noite de hoje um bairro residencial de Beirute, após uma série de bombardeamentos com vítimas mortais realizados horas antes, informou a Agência Nacional de Informação libanesa (ANI).
O ataque aéreo teve como alvo um edifício de Tallet el-Khayat, parte do qual desabou, e as equipas de resgate chegaram ao local para socorrer possíveis vítimas.
Quanto aos bombardeamentos maciços e repentinos hoje efetuados no centro de Beirute, o Exército israelita justificou-os sustentando que o grupo xiita libanês pró-iraniano Hezbollah se deslocou “para o norte de Beirute e para os bairros mistos” da capital, fora do seu tradicional bastião na periferia sul.
Numa videoconferência com a comunicação social, o porta-voz do Exército israelita, Nadav Shoshani, insinuou que os ataques israelitas de hoje à tarde ao centro de Beirute – que se seguiram a outros simultâneos ao sul do Líbano e ao Vale de Bekaa – foram uma resposta a esta alegada nova estratégia do Hezbollah.
“Ao longo desta operação, desde 02 de março, e inclusive antes, temos visto o Hezbollah a tentar expandir-se e chegar a zonas que não eram antes reconhecidas como pertencentes ao grupo. Faz parte da sua estratégia”, assegurou.
Questionado sobre se o Exército israelita tinha avisado com antecedência do bombardeamento planeado, em especial em zonas centrais densamente povoadas de Beirute, Shoshani disse que “o elemento surpresa é importante” quando o alvo são “terroristas”.
Nas últimas semanas, e durante a guerra que Israel travou na Faixa de Gaza em retaliação ao ataque a território israelita do movimento islamita palestiniano Hamas, a 07 de outubro de 2023, o Exército israelita já tinha bombardeado zonas sunitas e não apenas xiitas de Beirute.
O Exército israelita bombardeou hoje à tarde, depois de acordado na terça-feira à noite um cessar-fogo entre o Irão e os Estados Unidos e Israel, mais de 100 alvos no Líbano, em apenas dez minutos – a maior vaga de ataques aéreos desde o início da guerra, causando pânico na população civil.
O sul de Beirute ficou devastado e dezenas de ambulâncias e carros de bombeiros emergiam das zonas atacadas, tanto nos subúrbios da capital, conhecidos como Dahye, como no centro da cidade.
O Presidente libanês, Joseph Aoun, classificou essa primeira onda de ataques israelitas de hoje como “um massacre” e o ministro da Saúde anunciou um balanço de mais de 100 mortos e de cerca de 800 feridos.
Estes números vêm somar-se aos pelo menos 1.530 mortos e milhares de feridos no Líbano desde que o país foi, a 02 de março, arrastado para o conflito regional desencadeado a 28 de fevereiro por uma ofensiva dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, quando o Hezbollah atacou com morteiros Israel, que desde então tem bombardeado intensamente o sul do país, primeiro com ataques aéreos e depois também com operações terrestres.
O número total de deslocados ultrapassou um milhão, o que representa mais de um sexto da população do país.
Os ataques foram firmemente condenados pelo primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, que criticou Israel por “continuar a expandir a sua agressão” e por visar “bairros residenciais densamente povoados”.
“As vítimas foram civis desarmados em várias partes do Líbano, e particularmente na capital, Beirute”, lamentou.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) de Israel respondeu hoje aos líderes libaneses afirmando que os seus novos ataques visam atacar o partido paramilitar xiita Hezbollah, perante a inação das autoridades do país, numa mensagem para justificar a ofensiva mais intensa até à data contra Beirute e o sul do Líbano.
“O Presidente e o primeiro-ministro do Líbano não têm vergonha de atacar Israel por este fazer o que deveriam estar a fazer: atacar o Hezbollah”, declarou o MNE israelita, numa mensagem que condena Beirute por “não pedir desculpa” pelos milhares de ataques do movimento xiita a Israel, mas “apresentar exigências”.
“Está na altura de começarem a agir contra o Hezbollah. Com ações, não com palavras. E se são incapazes de o fazer, ao menos não se ponham no caminho”, escreveu a diplomacia israelita, afirmando que o Líbano não desarmou o Hezbollah nem tomou medidas para impedir os seus ataques a Israel.
“Mentiram quando afirmaram que tinham desmilitarizado a zona até ao [rio] Litani. Agora, temos nós de fazê-lo em seu lugar”, sustentou o MNE israelita, assim pretendendo justificar a continuação dos ataques ao Líbano - apesar do cessar-fogo de duas semanas acordado entre os Estados Unidos e o Irão, que, em princípio, deveria aplicar-se a ambos as partes no conflito e respetivos aliados, tendo o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, declarado que este não abrangia o Líbano.
Israel critica o facto de ainda haver ministros do Hezbollah no Governo libanês e de o embaixador iraniano permanecer em Beirute, “desafiando abertamente as suas próprias decisões”.