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Cerca de 600 mil portugueses podem ter doenças da tiroide e não saber

Data de publicação
25 Maio 2026
8:14

Mais de metade dos cerca de um milhão de portugueses que se estima que tenham doenças da tiroide não estão diagnosticados, segundo os especialistas, que alertam para a importância de valorizar sintomas como cansaço e alterações de peso.

Em declarações à Lusa a propósito da Semana da Tiroide, que hoje começa, a presidente da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM), Paula Freitas, explica que, muitas vezes, os sintomas são desvalorizados e, sobretudo numa fase inicial, são confundidos com situações do dia a dia.

“Às vezes, por exemplo, o doente tem uma bradicardia, ou seja, tem o coração a bater mais devagarinho, e acaba por ser o cardiologista que vai fazer o diagnóstico, ou até aparece com um colesterol muito elevado e quando se tenta perceber porquê é hipotiroidismo”, explicou a especialista, sublinhando a importância de não desvalorizar sintomas.

Disse ainda que os problemas da tiroide podem agravar outras doenças: “Por exemplo, quando há diabetes ou hipertensão ou, em casos muito extremos, pode agravar a insuficiência cardíaca”.

“Nas mulheres jovens impacta também na fertilidade e na própria gravidez”, acrescentou.

Além do hipotiroidismo (tiroide a trabalhar de forma lenta), há o reverso da medalha, com a tiroide a funcionar de forma acelerada (hipertiroidismo). Nestes casos – explica -, como a velocidade a que se instalam sintomas pode ser maior e o quadro é diferente, as pessoas estão mais atentas e o diagnóstico acaba por se fazer.

“No hipertiroidismo é como se tudo estivesse acelerado. Portanto, há muitas vezes uma perda de peso, apesar de um apetite preservado ou até muito aumentado, (...) e as pessoas estão atentas a variações de peso”, explicou a especialista.

As doenças da tiroide são uma das disfunções endócrinas mais frequentes a nível mundial, estimando-se que afetem cerca de 200 milhões de pessoas. Em Portugal, podem afetar até um milhão de portugueses, o equivalente a cerca de 10% da população.

Apesar desta elevada incidência, as estimativas indicam que cerca de 60% das pessoas com doença da tiroide não estão diagnosticadas, o que pode corresponder a 600 mil pessoas.

Paula Freitas disse que, quando os sintomas persistem, “podem ter significado clínico e devem ser avaliados”.

Para sensibilizar a população para a importância de valorizar sintomas como o cansaço, variações de peso, alterações de humor ou alteração ao frio, a SPEMD e a Associação de Doentes da Tiroide (ADTI) vão promover durante a semana ações de sensibilização com triagem no UBBO Amadora, com a participação de médicos endocrinologistas.

A iniciativa inclui a realização de avaliações clínicas breves e testes sanguíneos para identificar situações suspeitas de disfunção da tiroide. Os participantes com resultados indicativos de alteração serão encaminhados para o seu médico de família para avaliação clínica completa e eventual confirmação diagnóstica.

Questionada pela Lusa, a presidente da SPEDM reconheceu que um melhor acesso aos cuidados de saúde primários ajudaria a que estas pessoas pudessem ter um diagnóstico mais precoce, pois estariam mais acompanhadas.

“À medida que a idade vai avançando as pessoas têm maior probabilidade de ter hipotiroidismo e a porta de entrada seriam os cuidados primários, para estarem atentos e para fazer a análise [aos níveis da tiroide], quando fazem as análises anuais ao doente”, afirmou.

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