Israel lançou uma vaga de ataques contra o Irão na madrugada de hoje, antes de uma reunião planeada do Conselho de Segurança da ONU para discutir os bombardeamentos de infraestruturas civis iranianas.
A ofensiva visou locais “no coração de Teerão” utilizados para produzir mísseis balísticos e outras armas, assim como lançadores de mísseis e locais de armazenamento no oeste do Irão, afirmaram os militares israelitas.
Fumo foi também avistado sobre Beirute, embora Israel não tenha reportado de imediato ataques contra a capital libanesa. Sirenes de ataque aéreo soaram em Israel, com os militares a afirmar que estavam a trabalhar para intercetar mísseis iranianos.
O Irão continuou a disparar mísseis e drones contra os vizinhos árabes do Golfo, com sirenes a alertar para ataques no Bahrein, Qatar e Emirados Árabes Unidos.
O Kuwait afirmou que o porto de Shuwaikh, na Cidade do Kuwait, sofreu “danos materiais” num ataque, mas que ninguém ficou ferido.
O Conselho de Segurança da ONU agendou consultas à porta fechada sobre o Irão para hoje em Nova Iorque, de acordo com dois diplomatas da ONU que pediram para não ser identificados por a reunião não ser pública.
As mesmas fontes acrescentaram que a Rússia solicitou a reunião sobre os ataques israelo-americanos contra infraestruturas civis no Irão, com os Estados Unidos (EUA), que detêm a presidência do Conselho de Segurança, a agendar a reunião.
Os EUA pressionaram o Irão a iniciar conversações tendo como base uma proposta de cessar-fogo de 15 pontos, mas, ao mesmo tempo ordenaram o envio de mais tropas para a região, no que se suspeita serem preparações para uma tentativa militar de retirar o estreito de Ormuz do controlo apertado do Irão.
O enviado do Presidente norte-americano Donald Trump, Steve Witkoff, afirmou que Washington entregou uma proposta para um possível cessar-fogo utilizando o Paquistão como intermediário. A lista inclui restrições ao programa nuclear do Irão e a reabertura do estreito de Ormuz.
O Irão rejeitou a oferta dos EUA e apresentou a sua própria proposta de cinco pontos, que inclui reparações e o reconhecimento da sua soberania sobre o estreito de Ormuz.
Depois de Wall Street ter registado o pior dia desde o início da guerra, as ações asiáticas tiveram quedas consideráveis hoje devido às crescentes dúvidas sobre as hipóteses de um conflito prolongado.
Os preços do petróleo voltaram a subir com o Brent, o padrão internacional, fixou-se em 107 dólares por barril hoje de manhã, uma subida de mais de 45% desde que Israel e os EUA atacaram o Irão a 28 de fevereiro e iniciaram a guerra.
O controlo do Irão sobre a navegação através do estreito de Ormuz causou crescentes preocupações de uma crise energética global e parece fazer parte de uma estratégia para forçar os EUA a recuar, perturbando a economia mundial.
O bloco árabe do Golfo afirmou na quinta-feira que o Irão está agora a cobrar portagens aos navios para garantir a sua passagem segura pela via navegável.
À medida que os esforços diplomáticos prosseguiam, um grupo de navios dos EUA aproximou-se da região com cerca de 2.500 fuzileiros navais. Pelo menos mil paraquedistas da 82.ª Divisão Aerotransportada — treinados para aterrar em território hostil para garantir território estratégico e aeródromos — receberam ordens de mobilização para a região.
O secretário-geral do Conselho Norueguês para os Refugiados, Jan Egeland, afirmou que os trabalhadores da organização humanitária no Irão lhe comunicaram que “inúmeras casas, hospitais e escolas foram danificados ou destruídos” e que quase todos os bairros de Teerão sofreram danos.
“Os civis estão a pagar o preço mais elevado por esta guerra — ela tem de acabar”, afirmou num comunicado.
Desde que a guerra começou, mais de 1.900 pessoas foram mortas no Irão, de acordo com o Ministério da Saúde do país.
Dezoito pessoas morreram em Israel, enquanto pelo menos três soldados israelitas também foram mortos no Líbano. Pelo menos 13 militares americanos foram mortos. Quatro pessoas na Cisjordânia ocupada e 20 nos estados árabes do Golfo também faleceram.
As autoridades afirmaram que mais de 1.100 pessoas morreram no Líbano. No Iraque, onde grupos de milícias apoiados pelo Irão entraram no conflito, 80 membros das forças de segurança foram mortos.