Um ataque com drone em Al-Mojlad, cidade controlada por paramilitares sudaneses perto da fronteira com o Sudão do Sul, causou 18 mortos, anunciou hoje fonte médica à agência France-Presse (AFP), atribuindo o ataque ao exército sudanês.
Na quarta-feira, paramilitares das Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês), envolvidos numa guerra há quase três anos contra o exército do país, acusaram este último de ter realizado um ataque com drones num mercado da cidade, causando “dezenas de mortos e feridos entre os civis”.
O ataque, ocorrido nesse mesmo dia, matou 18 pessoas e feriu outras 25, de acordo com um médico do hospital da cidade contactado pela AFP.
Al-Mojlad está localizada no estado de Cordofão Ocidental, a algumas dezenas de quilómetros ao sul de Babanousa, o último bastião regional do exército tomado em novembro passado pelas RSF.
O Cordofão, uma vasta região, rica em ouro e petróleo, e ponto estratégico para o controlo do país, tornou-se nos últimos meses o epicentro do conflito que assola o Sudão desde abril de 2023.
A guerra matou dezenas de milhares de pessoas e desalojou 11 milhões, provocando o que a ONU descreve como “a pior crise humanitária do mundo”.
Há vários meses que as Nações Unidas denunciam os ataques de ambos os lados a zonas povoadas, mas os apelos à trégua têm permanecido sem efeito até agora, enquanto as partes se equipam com armas cada vez mais sofisticadas com a ajuda dos respetivos aliados.
A guerra no Sudão eclodiu em Cartum, a capital sudanesa, em 15 de abril de 2023, e opõe desde então as forças armadas sudaneses, chefiadas pelo general Abdel Fattah al-Burhan, às RSF, lideradas por outro general, Mohamed Hamdan Dagalo, conhecido como “Hemedti”.
Quando os combates começaram em Cartum, Burhan e Hemedti eram, respetivamente, presidente e vice-presidente do Conselho Soberano de Transição, que era o órgão executivo do Sudão desde agosto de 2019, na sequência do golpe militar que derrubou o antigo ditador, Omar al-Bashir, em 11 de abril de 2019.
Em outubro de 2021, Burhan e Hemedti lideraram um golpe militar, que dissolveu o Governo e destituiu os membros civis do Conselho de Transição, transformando-o numa junta militar. Um ano depois, no quadro do relançamento do processo de transição em dezembro de 2022, começou um ciclo de tensões crescentes entre as forças armadas sudanesas e as RSF – em consequência de um plano de integração dos elementos desta segunda força nas forças armadas regulares –, que acabou por resultar no confronto aberto em 15 de abril de 2023.