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Alunos do profissional têm emprego mais depressa, mas com salários idênticos ao ensino geral

Data de publicação
14 Maio 2026
8:18

Os jovens diplomados do ensino secundário profissional conseguem arranjar emprego mais depressa do que aqueles que concluíram cursos científico-humanísticos, mas optar pela via profissionalizante não se traduz em melhores salários, segundo um estudo divulgado hoje.

A conclusão consta de um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), que analisou os ganhos económicos associados ao prosseguimento dos estudos no ensino superior.

O relatório – o quinto ‘policy paper’ da FFMS e o segundo dedicado à Educação – confirma que os diplomados do ensino superior registam taxas de emprego e salários mais elevados, mas aponta também diferenças entre os jovens que decidiram não prosseguir os estudos depois de terminarem o secundário.

Olhando para as taxas de emprego, a equipa coordenada pelo investigador Luís Catela Nunes concluiu que o mercado de trabalho parece recompensar os jovens oriundos de cursos profissionais.

Um ano após concluírem o curso, 72% dos diplomados do ensino profissional estavam empregados, percentagem significativamente superior face aos 56% de diplomados dos cursos científico-humanísticos que não prosseguiram os estudos.

Ao longo do tempo, essa diferença vai-se esbatendo e após cinco anos é quase nula (88% e 86%, respetivamente), sugerindo que os alunos que escolhem a via profissionalizante são recompensados no acesso ao mercado de trabalho, mas apenas no curto prazo.

Por outro lado, o percurso académico dos jovens com ensino secundário é, aparentemente, indiferente quando estão em causa os salários, tanto no início da carreira, como ao longo dos anos.

Entre os quatro grupos geracionais analisados – nascidos entre 1987 e 1991, 1992 e 1996, 1997 e 1999, e 2000 e 2002 – os salários nos primeiros anos de experiência profissional são muito próximos e têm uma evolução idêntica, nunca chegando a registar diferenças significativas.

É quando concluem um curso superior que os jovens obtêm um ganho salarial mais expressivo.

Em média, os licenciados ganham, no primeiro ano de trabalho, mais 28% do que aqueles que concluíram apenas o secundário e essa vantagem salarial é suficiente para superar os anos de experiência perdidos em comparação com quem começou a trabalhar mais cedo.

Com três anos de experiência, um trabalhador que concluiu apenas o ensino secundário ganha, ainda assim, menos do que um licenciado em início de carreira.

Recordando que os alunos das vias profissionalizantes são menos propensos a prosseguir os estudos no ensino superior (só 22% continuam a estudar, abaixo dos 76% de diplomados dos cursos científico-humanísticos) e que o contexto socioeconómico pesa na opção pelo ensino profissional, os autores sublinham a necessidade de garantir oportunidades para atualizar os seus conhecimentos e competências ao longo da vida, sob pena de perpetuar desigualdades sociais.

Numa sessão de apresentação do estudo à comunicação social, Luís Catela Nunes defendeu que a solução não deve passar por “forçar a transição para cursos que não estão adaptados”, mas por promover a aprendizagem ao longo da vida.

Para isso, os investigadores sugerem a criação de percursos flexíveis e apelativos que apoiem a progressão e a conclusão dos cursos ao longo do tempo, com vias de acesso que reconheçam as aprendizagens prévias e experiência profissional, e cursos alinhados com os perfis profissionais.

A título de exemplo, Luís Catela Nunes referiu os casos da Noruega, Suíça e Suécia, onde muitos alunos entram no mercado de trabalho após concluírem o secundário, mas retomam os estudos mais tarde.

Dirigindo-se às instituições de ensino superior, os autores recomendam também estratégias académicas mais flexíveis e prospetivas, alinhadas com as necessidades futuras, com programas concebidos à medida dos percursos educativos e profissionais dos diplomados do ensino profissional.

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