No conjunto das capitais de distrito, o Funchal destaca-se como a cidade onde a habitação mais pesa no orçamento das famílias. Segundo dados divulgados hoje, pelos portais de imobiliário idealista e imovirtual, a taxa de esforço no arrendamento atingiu 93% do rendimento familiar no quarto trimestre de 2025, o valor mais elevado entre as 20 cidades analisadas. Isto significa que, em média, quase a totalidade do salário é absorvida pela renda.
Na compra de casa, a pressão mantém-se igualmente extrema. O Funchal apresenta uma taxa de esforço de 102%, sendo apenas ultrapassado por Lisboa (113%). Ou seja, adquirir habitação na capital madeirense implica um encargo superior ao rendimento médio disponível, tornando o acesso à casa própria altamente desafiante.
A nível nacional, a taxa de esforço fixou-se nos 80% para arrendamento e 70% para compra, refletindo um mercado pressionado e marcado por fortes assimetrias regionais. Faro e Lisboa acompanham o Funchal entre os mercados mais exigentes, enquanto cidades do interior como Guarda, Portalegre ou Castelo Branco permanecem mais acessíveis, com taxas próximas ou abaixo do limite recomendado de 33%.
Entre 2024 e 2025, os preços continuaram a subir em praticamente todo o país, agravando o desfasamento entre rendimentos e valores da habitação. O retrato de 2026 confirma, assim, que o Funchal é atualmente um dos territórios onde o acesso à habitação se revela mais difícil, tanto para arrendar como para comprar casa.