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Venezuela: Comércio fechado, preocupação e ruas quase desertas

Data de publicação
03 Janeiro 2026
16:39

Comércio fechado, apenas supermercados abertos, e um cenário de preocupação e “calma aparente”, sem “ninguém na rua”, é o que relatam dois representantes da comunidade portuguesa sobre a situação na Venezuela, atacada esta madrugada pelos Estados Unidos.

“Há muita preocupação das pessoas neste momento, sobretudo na cidade de Caracas, há muitos locais comerciais que estão abertos, mas muitos também que estão fechados”, relata à Lusa José Topa, um dos seis conselheiros das comunidades portuguesas na Venezuela.

“As pessoas estão a sair à rua, arriscando-se um bocadinho (...) para ir comprar comida, bens alimentares que possam guardar em casa, porque as pessoas se preocupam que esta situação se possa arrastar por vários dias”, conta, realçando que, apesar de se encontrar atualmente em Portugal, está “em contacto permanente” com a comunidade portuguesa no país sul-americano.

“[Há] uma calma aparente, as pessoas estão muito na expectativa, a ver o que é que vai suceder”, sublinha, assinalando que a comunidade portuguesa na Venezuela “está bem”.

“Não tenho informação de situações com a nossa comunidade”, nota, descartando “uma grande afluência de portugueses ao consulado ou à embaixada a pedir apoio” neste momento.

“Acredito sinceramente que isso não se vai passar, ainda que o nosso Governo deva estar preparado para qualquer coisa dessas”, admite, ressalvando que “neste momento é impossível tirar pessoas” da Venezuela, com o espaço aéreo fechado.

“A informação que temos é que às duas e pico da manhã houve uns bombardeamentos em Caracas, [nomeadamente] nas antenas [de comunicações], no Círculo Militar [complexo do Ministério da Defesa venezuelano], em La Carlota [base militar], vários sítios, e parece que destruíram muitas coisas”, conta à Lusa Juan Gonçalves, ex-presidente do Centro Português de Caracas, residente na capital venezuelana, mas que se encontra atualmente na ilha Margarida, destino popular de férias situado no mar das Caraíbas.

“O comércio está todo fechado, aqui na ilha Margarida estão abertos apenas os supermercados e tenho informação de que também em Caracas abriram alguns supermercados e uma cadeia de farmácias, de resto está tudo completamente fechado”, relata.

“Não há ninguém nas ruas, a não ser grupos bolivarianos andando por Caracas de moto”, avança, baseando-se em testemunhos de familiares e amigos.

“Isto está tranquilo, silencioso, as pessoas estão a ir aos supermercados e a comprar como em tempo de crise”, compara, imaginando que “a comunidade portuguesa esteja em suas casas”, tirando quem seja proprietário de supermercados, que terão aberto “os seus negócios para poderem colaborar com as pessoas para que tenham comida em casa”.

José Topa ressalva que Nicolás Maduro, o atual presidente da Venezuela, “foi tirado do país (...), mas o regime não caiu”.

“O regime não caiu, ou seja, continuam as figuras do regime à frente e continuam a tratar de controlar o poder”, alerta, lembrando que “há milícias, há órgãos do Estado a patrulhar nas ruas e há uma lei de emergência que é praticamente quase como uma lei marcial” e recomendando, por isso, que, nesta “situação de emergência (...), as pessoas fiquem em casa, [porque] andar na rua pode ser complicado”.

Além disso, “as pessoas continuam com medo de falar, ninguém se quer expor, ninguém quer falar, ninguém quer dizer nada”, assinala, acreditando que possa haver “uma caça às bruxas nos próximos dias, uma situação de repressão” e, portanto, aconselhando “cuidado com aquilo que se publica, com aquilo que se escreve, com aquilo que se diz”.

Topa não acredita que aconteça “uma mudança política assim, já de imediato”.

Esse cenário “não é viável”, considera, afirmando que “uma intervenção estrangeira não pode ser aplaudida, de maneira nenhuma”.

“Uma coisa é o que vê a grande comunidade venezuelana que está fora, exilada, e faz uma festa, [mas] no país ninguém pode fazer isso”, distingue, assinalando que “as pessoas da oposição (...) estão resguardadas e quem anda nas ruas são as pessoas adeptas ao governo”.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou ter realizado hoje, “com sucesso, um ataque em grande escala contra a Venezuela” e ter capturado o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e a sua mulher.

Trump confirmou o ataque poucas horas depois de terem sido relatadas explosões e sobrevoos de aeronaves militares em Caracas e outras zonas do país e garantiu que Maduro e a sua mulher, Cilia Flores, estão detidos no navio anfíbio “USS Iwo Jima” e a caminho de Nova Iorque, para serem julgados por tráfico de droga.

Washington “não prevê nenhuma ação suplementar na Venezuela agora que Maduro foi detido”.

O Governo venezuelano denunciou a “gravíssima agressão militar” dos Estados Unidos e decretou o estado de exceção.

A comunidade internacional tem-se manifestado sobre o ataque, dividindo-se entre condenações aos Estados Unidos e saudações pela extração de Nicolás Maduro.

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