O eurodeputado e porta-voz do grupo do PSD no Parlamento Europeu (PE), Sebastião Bugalho, acusou hoje o secretário-geral do PS de “branquear” o parlamento da Venezuela saído de eleições não reconhecidas internacionalmente.
Numa nota enviada à Lusa, em Bruxelas, Bugalho critica o facto de José Luís Carneiro ter “visitado e enaltecido um parlamento cuja eleição nenhuma democracia no mundo reconheceu”.
O social-democrata acusou ainda o líder socialista de “branquear um parlamento fantoche” ao ter defendido um estreitar de laços entre os parlamentos europeus e a Assembleia Nacional venezuelana, onde a oposição democrática não está representada.
O porta-voz dos eleitos sociais-democratas lembrou antigos eurodeputados dedicados ao tema da liberdade de democracia na Venezuela, como Paulo Rangel (PSD), “que caminhou até às fronteiras terrestres venezuelanas em solidariedade com a oposição democrática”.
Mas também evocou o atual eurodeputado Francisco Assis (PS), que “visitou campos de refugiados venezuelanos no Brasil e foi um dos primeiros socialistas no panorama europeu a reconhecer a vitória de Edmundo González, em 2024”, acusando Carneiro de “violentar injustificadamente esse património” com a sua viagem.
O secretário-geral do PS regressa hoje a Portugal de uma visita de quatro dias à Venezuela, tendo visitado o parlamento nacional e mantido contacto com as comunidades nos estados de Miranda, Arágua, Carabobo e La Guaira.
A audiência com a presidente Delcy Rodriguez, que esteve prevista para sábado, acabou por não ocorrer.
Bugalho, além de porta-voz do PSD no PE, é também vice-coordenador do Partido Popular Europeu (PPE) na comissão para os Assuntos Externos.
As últimas eleições na Venezuela aconteceram a 28 de Julho de 2024, tendo a vitória sido atribuída pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) a Nicolás Maduro com pouco mais de 51% dos votos.
Este resultado foi contestado pela oposição e pela Comunidade Internacional, que afirma ter havido fraude e que Edmundo González Urrutia obteve cerca de 70% dos votos.
Nicolás Maduro e da sua mulher, Cilia Flores, foram capturados durante uma operação militar dos Estados Unidos da América em 03 de janeiro.