O piloto João Silva denunciou que tem sido alvo de ataques e abuso por via digital.
Relaciona tal facto com atos que podem estar a ser motivados pela queixa feita pelo piloto do Toyota Yaris ao patrocínio que envolve a equipa de Miguel Nunes.
Leia a publicação feita por João Silva na íntegra:
“Tenho sido alvo de ataques e abusos online, que já se tornaram uma prática recorrente de agressão contra mim. Pessoalmente, não me atingem, mas não gosto que se levantem suspeitas sem fundamento apenas para descredibilizar.
Entre acusações falsas, afirmo que nunca procurei qualquer patrocínio de tabaco, nem andei atrás de tabaqueiras. Pelo contrário, sempre me distanciei e fui reticente quanto à legalidade desse tipo de patrocínios.
Não fiz esta reclamação para obter qualquer benefício desportivo. Se esse fosse o meu objetivo, tê-la-ia apresentado no final da época passada, quando poderia ter influenciado desde logo o resultado final do campeonato em disputa.
Também me acusam de incoerência, por não ser contra o álcool ou até a guerra. Ora bem, eu sou. Mas quanto ao álcool, a legislação infelizmente permite; e quanto à guerra, ainda mais triste, mesmo contra legislação internacional, tratados e diplomacia, adoraria ter alguma influência para pôr termo.
Mas voltando a onde posso fazer a diferença, o meu propósito é simplesmente marcar a minha posição e exigir que quem tem o dever de regular, fiscalizar e fazer cumprir os regulamentos actue em conformidade com os mesmos e, consequentemente, em defesa do interesse comum, em especial das gerações mais novas e futuras. Sinceramente, são essas que me preocupam.
Essa postura, contudo, expõe-me a críticas paradoxais. Por um lado, se um piloto faz acusações públicas, dizem que deveria utilizar os canais formais; quando utiliza os canais formais, dizem que isso não se faz. Enfim...
Não deixa de ser igualmente curioso que todo este processo devesse ser conduzido de forma sigilosa até haver uma decisão final. No entanto, apesar de nem o CCD nem eu próprio termos assumido publicamente contra que concorrente foi apresentada a reclamação, rapidamente toda a gente parece saber de quem se trata. Ao mesmo tempo, são essas mesmas pessoas que questionam onde está, afinal, a alegada publicidade irregular, que não conseguem identificar.
Ficaria muito satisfeito se o resultado desta reclamação fosse um regresso aos tempos da decência, em que a publicidade ao tabaco foi abolida, inclusive por parte de equipas regionais, e que esta publicidade desapareça definitivamente, voltando para o lugar de onde nunca deveria ter saído.
Não me compete determinar que tipo de consequências ou penalizações este tipo de conduta deve acarretar. O que realmente pretendo é que se ponha termo a este tipo de publicidade, que é proibida por lei. Ou então mudem a lei, pois parece ser a solução mais conveniente para alguns.
Talvez, no fundo, tudo isto explique também uma realidade simples, algumas pessoas não se incomodam por eu estar errado, incomodam-se por eu estar demasiado certo.”