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Milhares de escritores publicam livro ‘vazio’ contra uso das suas obras em IA

Data de publicação
10 Março 2026
12:42

Milhares de escritores, entre os quais Ali Smith, Kazuo Ishiguro e Magnus Mills, publicaram um livro “vazio”, em protesto contra o uso das suas obras sem autorização para treinar sistemas de Inteligência Artificial (IA).

Uma plataforma intitulada ‘Don’t steal this book’ (‘Não roube este livro’) mostra um livro de capa branca, com uma máscara preta e o título escrito em letras vermelhas, com um subtítulo que acrescenta: ‘Um apelo dos autores’.

Na mesma página, uma breve legenda acompanha a imagem, explicando tratar-se de “um livro vazio de quase 10.000 autores, em protesto contra o roubo de livros por empresas de IA para treinar modelos de IA”.

A obra não contém quaisquer textos, apenas os nomes dos milhares de escritores que aderiram a este protesto e que estão listados por ordem alfabética na página www.dontstealthisbook.com.

Nessa mesma plataforma lê-se que “o Governo do Reino Unido não deve legalizar o roubo de livros para beneficiar empresas de IA” e que “empresas de IA estão a desenvolver os seus produtos copiando milhões de livros sem autorização ou pagamento”.

“O Governo do Reino Unido está a ponderar legalizar esse roubo em grande escala. Apelamos a que descartem essa possibilidade. As empresas de IA devem pagar pelos livros, tal como todos os outros”.

“Se não o fizerem, o que nos restará é isto: páginas vazias, escritores sem pagamento e leitores privados do próximo livro que vão adorar”, acrescentam nesta nota, que consta também da contracapa do livro.

O livro foi organizado por Ed Newton-Rex, compositor e ativista pela proteção dos direitos de autor dos artistas, que afirma que a indústria de IA foi “construída com base em trabalho roubado... retirado sem autorização ou pagamento”, segundo o The Guardian.

De acordo com o jornal britânico, exemplares da obra estão a ser distribuídos hoje aos participantes da Feira do Livro de Londres, uma semana antes de o governo do Reino Unido divulgar uma avaliação sobre o custo económico das mudanças propostas na lei de direitos de autor.

Até 18 de março, os ministros devem apresentar uma avaliação do impacto económico, bem como uma atualização sobre uma consulta pública relativa à reforma legal, num contexto de crescente indignação entre profissionais criativos sobre a forma como o seu trabalho está a ser utilizado por empresas de IA.

“Este não é um crime sem vítimas - a IA generativa compete com as pessoas cujas obras são usadas para treiná-la, tirando-lhes o seu meio de subsistência. O Governo deve proteger os criadores do Reino Unido e recusar legalizar o roubo de obras criativas por empresas de IA”, sublinhou Ed Newton-Rex.

Entre os milhares de autores que assinam o livro, contam-se nomes como Philippa Gregory, Richard Osman, Mick Herron, Marian Keyes, David Olusoga e Malorie Blackman, que considera não ser “de forma alguma irracional esperar que as empresas de IA paguem pelo uso dos livros dos autores”.

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