A Assembleia da República adiou hoje, por uma semana, a votação de um voto de pesar pela morte do escritor e médico António Lobo Antunes, para que a família possa estar presente “em maior número”.
Durante o período de votações, o vice-presidente Diogo Pacheco de Amorim, que conduzia os trabalhos, anunciou que a Mesa tinha recebido do gabinete do presidente da Assembleia da República um pedido de adiamento da votação do pesar apresentado por José Pedro Aguiar-Branco para a próxima semana, “para a família poder estar aqui em maior número, porque não poderiam estar aqui todos que gostariam de vir esta semana”.
O líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, indicou que estava presente nas galerias uma filha de António Lobo Antunes e que a bancada queria prestar “uma última homenagem”, endereçando-lhe sentimentos.
Pelo PS, o líder parlamentar, Eurico Brilhante Dias, referiu que “não é muito comum fazer a retirada de um voto do guião” quando já decorrem as votações.
“Contudo, estando a família presente, o Grupo Parlamentar do Partido Socialista, que muito nos unia a António Lobo Antunes, não quer deixar de marcar a presença de parte da sua família e endereçar à família as condolências”, afirmou o socialista.
Também a líder parlamentar do Livre, Isabel Mendes Lopes, pediu a palavra para deixar a sua homenagem ao escritor e médico.
“Eu julgo que está toda a Câmara de acordo, quer no adiamento do voto, quer em dirigir à filha de António Lobo Antunes, as nossas condolências e as condolências de toda a câmara. Fica então decidido e o voto será apresentado na próxima semana”, anunciou Pacheco Amorim.
Na sessão plenária de hoje, foi aprovado um outro voto de pesar pela morte de Godelieve Meersschaert, assinalando que foi uma “figura central da luta pelos direitos humanos e fundadora da Associação Cultural Moinho da Juventude”, no bairro da Cova da Moura, na Amadora.
“O seu percurso foi reconhecido em 2005 pelo Presidente Jorge Sampaio, que a agraciou com a Ordem de Mérito, e em 2007, quando a Associação Cultural Moinho da Juventude recebeu o Prémio Direitos Humanos da Assembleia da República”, indica o voto que foi aprovado por unanimidade.
O texto apresentado por PS, Livre, PCP, BE e PAN refere ainda que o “legado corajoso” de Godelieve Meersschaert, “de compromisso com a justiça social, a defesa dos direitos humanos e a luta contra todas as formas de discriminação marcou várias gerações e contribuiu para uma transformação estrutural da Cova da Moura”.
O escritor António Lobo Antunes, um dos maiores nomes da literatura portuguesa desde a segunda metade do século XX, nasceu em Lisboa, em 1942, e morreu na quinta-feira, aos 83 anos.
O texto de pesar assinala que o escritor, Prémio Camões em 2007, “foi um dos autores portugueses mais celebrados, traduzidos e lidos no mundo” e “a sua memória e a sua obra perdurarão na consciência coletiva portuguesa”.
António Lobo Antunes nasceu em Lisboa, em 01 de setembro de 1942, licenciou-se em Medicina, pela Universidade de Lisboa em 1969, tendo-se especializado em Psiquiatria, que mais tarde exerceu no Hospital Miguel Bombarda. Optou pela escrita a tempo inteiro em 1985, para combater a depressão que dizia ser comum a todas as pessoas.
A República Portuguesa condecorou o autor do “Memória de Elefante” com a grã-cruz da Ordem de Sant’Iago da Espada, em 2004 e, em 2019, com a Ordem da Liberdade. França deu-lhe o grau de “Commandeur” da Ordem das Artes e das Letras, em 2008. Foi Prémio Camões em 2007.
Na quinta-feira, o Governo decretou um dia de luto nacional em homenagem a António Lobo Antunes, que será cumprido no sábado e o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, anunciou que iria depositar junto dele o grande-colar da Ordem de Camões.