Equipa que ganha não se muda.

Esta frase foi-me dita pelo meu antigo colega de trabalho e agora grande amigo, o “Chefe Emanuel”, após termos concluído um projeto que muitos não esperavam que pudesse ser feito. A estratégia foi sempre a mesma: “convocar” um colega que alinha. Aos poucos a maioria sente-se envolvida e entusiasmada. Essa é a grande vitória.

No trabalho, nas relações familiares e de amizade é exatamente o mesmo: não podemos esperar que todos se envolvam e se sintam motivados para a mudança, nem que reconheçam o nosso esforço. É preciso que alguém avance, sem medo de errar, e inspire os outros para que, com tempo, façam parte. Se cada um está virado só para as suas tarefas (muitas, eu sei) e prevalece a expressão “eu não tenho nada a ver com isso”, é angustiante para todos. Sim, há aqueles que mesmo que se faça o pino não vão mudar de postura, mas isso não pode ser desculpa para evitar a inovação, a mudança, a melhoraria, para sentir-se desafiado e superar-se.

Para querer continuar a fazer parte de uma empresa bem-sucedida, é necessário sentir-se bem para ultrapassar, com atitude, os momentos de crise e trabalhar, “sem espinhas”, no dia-a-dia.

O que acontece é que as empresas, as famílias e as relações têm o ritmo frenético dos tempos que vivemos e desvalorizam os pequenos nadas, tanto as coisas boas como as más. De repente, temos o elefante na sala. Os “probleminhas” são “problemões”. Usamos o silêncio, a falta de consideração e o “quero lá saber” para fugir. Damos azo à justificação: “não temos tempo para parar”. Quando isto acontece, alguém está insatisfeito, desmotivado e apático. O mal-estar instala-se. Há perda de dinheiro, de tempo, de melhores oportunidade e de saúde.

Por isso, sou uma defensora ferrenha de que a felicidade é um negócio sério e que é a métrica para o êxito. Pessoas felizes e de bem consigo procuram soluções, colocam limites, sabem falar sem ofender, ouvem, são proativas, persistentes e não esperam o reconhecimento, pois são elas que reconhecem os outros.

Enganam-se aqueles que consideram que o bem-estar no trabalho se resume a atividades engraçadas ocasionalmente. Pelo contrário: exige hábito, estrutura e reflexão.

Vamos às reuniões de equipa (sinto os seus olhos a revirar).

Há empresas que só marcam encontros quando se passa algo de grave ou, porque vem aí uma mudança drástica. Como as reuniões acontecem lá de vez em quando, demoram uma eternidade e no fim não fica claro para todos a “moral da história”.

Quanto mais recorrentes forem as reuniões, menos tempo vão demorar as próximas, menos telefonemas serão feitos durante o dia de trabalho, menos e-mails, menos WhatsApp's a horas que não lembra a ninguém, menos mal-entendidos. Por sua vez, aumenta a afinidade entre os membros, trocam-se ideias, sugestões de melhoria, entendemos e acompanhamos mais de perto os procedimentos.

Qual é a chave das reuniões de empresas lucrativas? Ser uma rotina de trabalho; respeitar a hora que começa e termina (quinze a trinta minutos); delinear uma ordem de trabalhos realista e com um objetivo; ouvir pontos de situação e sugestões de melhoria; estarem presentes apenas as pessoas necessárias; criar um esquema simples e prático para passar a informação aos restantes elementos.

Não queiram diferente realizando o mesmo. Olhem para o elefante na sala. Comecem por partes. Não é perder tempo, nem ter mais trabalho. É saber que o sucesso se realiza com persistência, flexibilidade e com pessoas de confiança.