Foi numa Sé repleta de fiéis que o bispo do Funchal falou hoje aos sacerdotes na Missa Crismal desta Quinta-feira Santa. Numa mensagem dirigida aos ‘apóstolos de Cristo’, D. Nuno Brás referiu que “não é nunca demais olhar para Jesus. Não é nunca demais contemplar nele a realização da Promessa, a sobreabundância do Espírito, a presença da glória divina, ainda que resplandecendo na humilhação e concretude da carne humana. E nunca é demais procurar em Jesus o centro do nosso viver e, ao mesmo tempo, a meta do nosso peregrinar. Afinal, a vida cristã mais não é que procuramos reconhecer-nos, identificarmo-nos cada vez mais com Ele”.
Na homilia desta celebração, o representante máximo da Igreja Católica na Madeira ressalvou que “o cumprimento das Escrituras que admiramos em Jesus continua hoje no seu Corpo que é a Igreja. E desse cumprimento — desse “hoje divino” — devemos todos nós, Igreja funchalense, tomar também consciência. E, com ele, nos devemos igualmente maravilhar. Em nós e por nosso intermédio, instrumentos insuficientes e fracos, se realiza, no nosso tempo, o admirável mistério da salvação. Nisto mesmo, aliás, consiste a liturgia da Igreja: mergulhar em cada dia no acontecimento da salvação, deixar que ele inunde os tempos e os lugares, as vidas, de forma a que todos se encham com a graça divina: graça a oferecer-se, a jorrar, a transbordar a partir daquele acontecimento único que é o próprio Jesus”.
Falando da realidade regional, o bispo do Funchal regozijou-se. “Como Igreja que peregrina nestas Ilhas do Atlântico, maravilhamo-nos por percebermos Deus a atuar hoje na nossa história, na vida concreta das nossas comunidades, das nossas famílias, dos nossos cristãos. Mas, como sacerdotes, ficamos ainda mais surpreendidos, ao percebermos como esse hoje divino nos tem a nós por instrumentos”. No entanto, e disse estar convicto de “uma nova inquietação está a agitar o coração de muitas pessoas, especialmente dos jovens”.
Deste modo, lembrou aos sacerdotes presentes na eucaristia que “ser e viver como “outro Cristo”, com tudo o que isso implica: eis o que torna apaixonante o nosso ministério. Procurar que, quando nos encontra pela rua e nas igrejas, o povo de Deus ou qualquer transeunte perceba que está a encontrar Cristo! Tarefa imensa, que por nós seríamos incapazes de cumprir, mas que a graça sacramental não só nos permite como quase nos obriga! Olhamos à nossa volta, e somos quotidianamente surpreendidos pelo hoje divino da salvação. Olhamos para nós e percebemos que é através das nossas mãos e do nosso ser que este “hoje” se torna presente, atuante, na Igreja e no mundo. Mesmo com todas as derrotas e vicissitudes; mesmo com todas as incapacidades; mesmo apesar do nosso pecado, não temos o direito de baixar os braços, de desistir de Deus e da missão que Ele nos confiou e confia”.
A concluir, D. Nuno Brás refere: “Alter Christus”: desafio enorme e apaixonante, que não nos admite outra resposta a não ser aquela que pronunciámos no dia da nossa ordenação: “Eis-me aqui, Senhor!”.