O deputado do PS, Victor Freitas, destacou a importância histórica e económica da produção de cana-de-açúcar na Madeira, defendendo que os produtores devem beneficiar de forma mais direta da valorização comercial do rum produzido na Região.
Na sua intervenção, o socialista sublinhou que a produção de cana “não é um trabalho fácil” e que se trata de uma atividade com profundas raízes históricas, ligada à identidade cultural e gastronómica da Madeira e do Porto Santo. Recordou ainda que este setor “vive em parte devido à União Europeia e aos seus apoios”, considerando-os determinantes para a sua continuidade.
Victor Freitas afirmou também que, ao longo de décadas, este produto “foi muito maltratado”, lembrando que o debate público sobre a sua valorização ganhou maior visibilidade em 2015, quando foram discutidos os diferentes componentes do preço, incluindo o valor pago pela União Europeia e pelos engenhos.
O deputado destacou ainda a evolução recente do setor, referindo que, nos últimos anos, houve uma forte valorização do rum madeirense. “De 2022 para 2023, quem constatou o aumento do preço do nosso rum percebeu que ele, em dois ou três anos, duplicou de valor”, afirmou, apontando a subida do produto no mercado.
Nesse sentido, defendeu a necessidade de criar mecanismos mais objetivos para determinar o valor da cana-de-açúcar, sugerindo a utilização de critérios como o custo da mão de obra, fertilizantes, combustíveis e também a evolução do preço de venda do rum.
“Ou nós continuamos neste tipo de gestão ou então criamos regras e parâmetros”, afirmou, defendendo uma maior ligação entre o preço pago ao produtor e o valor comercial final do produto. Victor Freitas considerou ainda que os agricultores devem “passar a receber a sua cota parte no sucesso da venda do rum da Madeira”.