A concelhia do Funchal do Partido Socialista acusou a Câmara Municipal de “tentar apagar as conquistas e os valores de Abril” ao não promover qualquer iniciativa para assinalar o 25 de Abril de 1974, considerando tratar-se de um desrespeito pela autonomia do poder local.
Em reação à notícia publicada hoje pelo JM, dando conta de que a autarquia deixou cair, este ano, as comemorações da Revolução dos Cravos, a presidente da estrutura, Isabel Garcês, criticou o executivo liderado pela coligação PSD/CDS por “amordaçar a liberdade e a democracia”, classificando a decisão como um “retrocesso” e uma “escandalosa tentativa de colocar Abril na gaveta”.
A socialista sustenta que a posição da autarquia reflete uma “evidente aversão” histórica do PSD às comemorações da data no Funchal, lembrando que só a partir de 2014, com a liderança socialista, o 25 de Abril passou a ser assinalado com sessões solenes e iniciativas abertas à população.
Segundo Isabel Garcês, com os executivos liderados por Pedro Calado e Cristina Pedra foi retirada a palavra aos eleitos na Assembleia Municipal e, agora, sob a presidência de Jorge Carvalho, deixou de existir qualquer iniciativa associada à efeméride.
Para o PS-Funchal, esta opção representa “uma clara tentativa de passar uma borracha sobre os valores e as conquistas de Abril”, acusando o executivo de impor “silêncio” num momento que deveria afirmar a cidade como espaço de memória democrática, liberdade e pluralidade.
Os socialistas consideram ainda que a decisão ganha maior gravidade no contexto dos 50 anos da consagração do poder local e da autonomia, apontando uma contradição entre o discurso do PSD e a prática do executivo municipal, ao remeter a evocação da data para a Assembleia Legislativa da Madeira.
O PS conclui que a liberdade e a participação “são resultado de Abril”, acusando o executivo camarário PSD/CDS de “tentar atropelar as conquistas alcançadas” e “apagar um marco histórico e transformador da vida social, política e cultural do País e da Região”.