Os vereadores do Juntos Pelo Povo na Câmara do Funchal consideram a demolição da Quinta das Tangerinas, património histórico classificado, como resultado da responsabilidade da coligação PSD/CDS. Segundo Fátima Aveiro e António Trindade, o caso evidencia “a negligência da anterior vereação, que aprovou, em 31 de julho de 2025, o licenciamento da obra; por outro, a tentativa da atual equipa, da mesma coligação, de se desresponsabilizar através da declaração de nulidade desse mesmo ato, escamoteando que é neste mandato que ocorre a demolição total da quinta”.
Os vereadores do JPP destacam que o projeto foi aprovado “sem o parecer obrigatório da Direção Regional de Cultura e sem garantir a salvaguarda do imóvel existente, em clara violação dos princípios de rigor administrativo e de proteção do património”. Acrescentam que o argumento de que a intervenção visa resolver a falta de habitação “não encontra suporte em qualquer documento” e que o empreendimento parece direcionado a “segmentos de mercado de elevado valor”.
Fátima Aveiro e António Trindade sublinham que foi graças à ação do JPP que o caso se tornou público: “A intervenção pública dos vereadores do maior partido da oposição trouxe o tema à discussão política, deu voz às preocupações dos cidadãos e impediu que mais um abuso administrativo passasse despercebido”. Os autarcas reafirmam o compromisso com “a defesa do interesse público, da transparência e da preservação do património do Funchal” e exigem “a assunção integral de responsabilidades políticas, tanto pela decisão que originou o desastre como pela tentativa atual de encobrir as suas consequências, bem como o apuramento rigoroso de todo o processo de licenciamento”.