Ajudar famílias com crianças ou jovens até aos 18 anos, bem como jovens, maiores de idade, residentes em casas de acolhimento da Região e que estejam em processo de transição é o novo projeto da Fundação Cecília Zino.
O Induzir, que é como se chama, tem como áreas de intervenção situações de desequilíbrio não enquadráveis no sistema de segurança social do estado; suporte financeiro, procura ativa de emprego, apoio médico (em diversas especialidades) e habitacional, bem como outro tipo de intervenção ou encaminhamento que seja considere pertinente, face ao problema identificado.
Segundo Susana Freitas, assistente social e coordenadora deste projeto, no fundo este programa é "induzir todas estas pessoas [família, crianças e jovens] a serem agentes do seu próprio processo de mudança e capacitá-los para isso".
Embora a Fundação tenha a seu cargo o Centro de Acolhimento Residencial - onde vivem atualmente 11 crianças e jovens -, há situações que chegam até si através da sinalização de situações feitas por entidades públicas e privadas, mas também por associações ou instituições.
"Nós aqui neste projeto não queremos intervir em situações de crise", esclarece, salientando que, aquilo a que se propõe tem mais a ver com as consequências negativas que o desemprego traz para o seio familiar.
"Uma situação de desemprego vai influenciar a harmonia e a interação familiar e é aí que nós queremos intervir. Nós queremos ajudar as pessoas a encontrar trabalho", assevera.
Quando as pessoas são integradas no projeto, o primeiro passo é a avaliação psicológica, isto é, saber-se se as pessoas têm alguma fragilidade emocional. Depois, toda a ação acaba por ser mais prática, passando a ser trabalhada diariamente.
Com as crianças, o trabalho passa por consultas de terapia da fala, psicologia e outras que tenham como objetivo ajudar no seu desenvolvimento.
Neste momento, este projeto está a acompanhar, em parceria com a Associação "Os Grandes Azuis", crianças autistas com transtornos do espectro autista, muitas delas diagnosticadas tardiamente.
"A nossa ideia aqui é trabalhar em parceria e em cooperação porque é cada vez mais importante fazê-lo. Nós sozinhos não somos nada", declara, salientando que este conceito de coesão e de parceria é fundamental para nós colmatarmos todas estas lacunas que vão surgir, principalmente depois da pandemia".
Aumentam pedidos da classe média
Já não é novidade que a pandemia veio engrossar as listas do desemprego e que é crescente o número de pessoas que enfrentam grandes dificuldades económicas por terem perdido o emprego de um dia para o outro.
É também neste nicho que a Fundação Cecília Zino apoia e é para isso que tem dado a conhecer publicamente o seu projeto e as suas linhas de apoio.
Susana Freitas conhece bem as consequências que a perda repentina de rendimentos tem numa família, sobretudo para os agregados familiares habituados a uma vida estável e relativamente desafogada em termos financeiros.
"Não é só a questão financeira que afeta uma família, a parte emocional é extremamente importante, senão, a mais importante", alerta, revelando que, atualmente, a maior parte das famílias apoiadas no seu projeto, são de classe média e algumas têm até formação superior.
Reconhecendo que estas pessoas poderão sentir alguma vergonha em procurar ajuda, a Assistente Social diz que esse sentimento deve ser ultrapassado, e "desmistificar essa situação".
"Nós prestamos apoio psicológico ou psiquiátrico tanto aos filhos, como aos pais prestamos apoio em várias áreas, inclusivamente, na área jurídica", acrescenta, exemplificando com situações de regulação do poder paternal, denúncias de contratos de arrendamento, entre outros.
Sempre com um grande foco nas crianças e jovens e na importância do seu bem-estar, cumprindo desta forma o propósito deixado por Cecília Zino (fundadora), Susana Freitas reconhece que, se não for feita uma intervenção atempada, "uma situação que se caracteriza por ser uma pequena vulnerabilidade, poderá chegar a um problema crítico, se não for trabalhada e acompanhada de uma forma eficiente, como por exemplo, chegar ao ponto de ser aplicada uma medida de colocação (retirada da criança do meio familiar), quando os representantes legais não procuram ajuda".
Confirmando que foi esta pandemia e a sua evolução que trouxe a maior parte das pessoas com as quais está a trabalhar neste projeto, Susana Freitas diz não ter dúvidas que, se não fosse a crise sanitária, muitos dos casos nem chegariam ao ponto que chegaram.
Aliás, considera mesmo que a situação poderá agravar ainda mais nos próximos tempos, salientando que, para evitar males maiores, as pessoas em situação vulnerável devem procurar ajuda no imediato, neste caso, poderão contactar diretamente para integração no projeto Induzir.
Por Lúcia M. Silva