Diz o povo que uma mentira repetida muitas vezes, corre o risco de ascender a verdade. Esta hipótese, contudo, esbarra com algo mais forte: a realidade e a memória. Vem isto a propósito do novo e enganador slogan político do PSD, repetido e gritado até à exaustão e que se resume a isto: o JPP não fez obra.
Ora a verdade é que os autores de tão falso refrão não só não têm razão, como não têm legitimidade. Não têm razão porque apesar da dívida que deixaram, fizemos e estamos a fazer obra. Não têm legitimidade porque, em abono da verdade, a obra que estamos a fazer destina-se grandemente a recuperar décadas de desinvestimento por parte do PSD em áreas vitais como a renovação das redes de água e saneamento, a proteção civil, a reabilitação de estradas e de núcleos urbanos.
Quando assumimos a gestão de Câmara de Santa Cruz em 2013, não encontramos apenas uma dívida, encontramos um concelho parado, estagnado nas suas dinâmicas evolutivas, um concelho com infraestruturas desadequadas ao crescimento demográfico registado. E isto que encontramos era sentido pela população que não teve dúvidas em mudar de rumo, depositando o voto numa outra força política.
Mas, o desinvestimento do Governo Regional em Santa Cruz não é apenas uma perceção, é uma realidade concreta, provada por números oficiais. É uma realidade que ignora por completo que Santa Cruz é o segundo concelho mais populoso da Madeira, onde residem 17% dos madeirenses, é o 2º polo turístico, com 1,1 milhão de dormidas ano, e é o 2º polo económico da ilha. Apesar destes números, Santa Cruz recebe apenas de investimento regional 4,86%, o que faz com que o peso demográfico real de Santa Cruz seja três vezes superior à fatia de investimento público: o concelho recebe proporcionalmente três vezes menos do que o seu peso populacional justificaria. E isto acontece porque existe, por parte do Governo Regional, uma distribuição de recursos que não segue critérios objetivos de necessidade ou de equidade e que sempre prejudicou Santa Cruz, mesmo quando o PSD era aqui poder.
À conta desta opção governativa, consciente e reiterada, Santa Cruz apresenta um investimento inferior ao de vários concelhos com menos população. Por exemplo, entre 2007 e 2024, a Ribeira Brava recebeu mais de 180 milhões de euros, Santana mais de 135 milhões, Calheta mais de 154 milhões, enquanto que, no mesmo período, e com muito mais população, Santa Cruz recebeu pouco mais de 92 milhões.
Por habitante, o investimento do Governo Regional em Santa Cruz coloca este concelho no último lugar do ranking regional. Enquanto que concelhos como Porto Moniz ou Santana apresentam valores superiores a 19 mil euros por habitante, o concelho de Santa Cruz regista apenas 2 mil 150 euros por habitante, o que corresponde a menos de um quarto da média regional.
Considerando o peso demográfico de Santa Cruz, seria expetável que tivesse recebido aproximadamente 323,5 milhões de euros de investimento entre os anos de 2007 a 2024, mas o investimento efetivamente realizado foi de apenas 92,5 milhões de euros, o que corresponde a um diferencial negativo superior a 231 milhões de euros.
Este desfasamento quantitativo constitui uma evidência clara de um padrão de persistente subinvestimento, que é uma forma de negligência histórica, cuja correção constitui uma condição fundamental para promover uma política de desenvolvimento regional mais equilibrada e territorialmente justa. E isto porque o desinvestimento neste concelho por parte do Governo Regional não tem sido ocasional, não é certamente conjuntural, mas antes estrutural porque incorporado num modelo de governação que tem negligenciado Santa Cruz de forma consciente. E esta negligência tem nome, tem rosto e tem responsáveis políticos identificados. E estes são os mesmos que acusam a Câmara de nada fazer, mas que nada fizeram, que discriminaram, que castigaram o povo deste concelho. Santa Cruz não pede privilégios, exige justiça! Santa Cruz não pede uma oposição amorfa, exige uma oposição séria e sem mentiras. Ou, no limite, uma oposição que saiba ler os claros números do PIDDAR, que não são nossos, são do Governo do PSD.