O líder parlamentar social-democrata disse hoje que PS e Chega “casaram mesmo” ao negociar e votar favoravelmente as propostas uns dos outros sobre subsídio de mobilidade, exigindo respeito quando o PSD faz o mesmo e dialoga com ambos.
Em declarações aos jornalistas depois de anunciar um acordo com o Chega para a lei da nacionalidade, Hugo Soares foi questionado sobre se havia um padrão no entendimento entre estes dois partidos.
“[Terça-feira] foi o Chega e o Partido Socialista que casaram juntos. Já não namoram só. Casaram mesmo. E eu digo-vos isto porque estou constantemente a ver no debate político, até os intervenientes políticos do Chega e do Partido Socialista, naquela birra infantil que já classifiquei, de dizer que quando nós falamos com o PS não podem falar com o PS, quando nós falamos com o Chega não podemos falar com uns e com outros, mas depois os dois podem tudo”, enfatizou.
Em causa as votações em comissão na véspera para alterar a proposta do subsídio de mobilidade, tema em relação ao qual o líder parlamentar do PSD apontou que PS e Chega se juntaram.
“O Chega aprovou as do PS. O PS aprovou as do Chega. E não há ninguém que diga nada. O que vale para uns, não vale para outros. Eu respeito que os partidos possam ter esse diálogo. Agora o que exijo é que respeitam também aquilo que o PSD já está a fazer e que é o que estamos a fazer bem”, criticou.
Segundo Hugo Soares, “nenhum noticiário” deu conta do que aconteceu no parlamento na véspera.
“Ontem o Partido Socialista e o Chega, aos olhos de todos, negociaram, acertaram, conversaram e votaram em conjunto, uns e outros, alterações ao subsídio social de mobilidade, que tem a ver, como sabem, com o transporte aéreo das regiões autónomas para cá”, disse, referindo que “acabaram com o teto de limite para a aquisição dessas viagens”.
O líder parlamentar do PSD afirmou que, com estas alterações, se voltou a colocar nas agências de viagem o ressarcimento do subsídio social de mobilidade, acabando com uma questão de princípio para a qual havia disponibilidade para fazer ajustes.
“Não vi uma linha escrita sobre isto. Não vi o doutor Eurico Brilhante Dias, aqui indignado, a dizer que o Partido Socialista estava a fazer um acordo com o Chega. Nem vi o doutor André Ventura dizer que não devia fazer acordos com o Partido Socialista. Mas eu respeito isso. O que eu não respeito é que, quando é o PSD que tem essa obrigação, de conversar com o Partido Socialista e com o Chega, me perguntem se há um padrão”, condenou.