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Escusas de responsabilidade “revelam falência estrutural do sistema de saúde” da Região

Data de publicação
31 Janeiro 2026
10:47

A Iniciativa Liberal Madeira considera “alarmante” que enfermeiros do Serviço de Urgência do Hospital Dr. Nélio Mendonça se vejam “obrigados a recorrer a declarações de escusa de responsabilidade, por falta de condições para exercer a sua profissão em segurança e para garantir cuidados de saúde de qualidade e conformes com as regras aplicáveis”.

Segundo Gonçalo Maia Camelo, deputado da Iniciativa Liberal, “este não é um protesto simbólico, nem um capricho: é um sinal inequívoco de rutura do sistema. Quando profissionais de saúde alertam formalmente para riscos clínicos e rejeitam responsabilidades impostas por más decisões estruturais, o problema não é dos profissionais — é do sistema e de quem o gere.”

Conforme destaca o partido em nota de imprensa, esta situação reflete falhas profundas e persistentes no Serviço Regional de Saúde: insuficiência de recursos humanos, organização deficiente dos serviços, sobrecarga contínua dos profissionais e impossibilidade de cumprimento das regras de segurança clínica. Profissionais exaustos, a trabalhar sistematicamente no limite, não são apenas um problema laboral — são um risco direto para os doentes e para a saúde pública.

Para a Iniciativa Liberal, “é particularmente grave que este cenário ocorra apesar do aumento contínuo do investimento público no sistema de saúde regional. O problema já não é a falta de dinheiro, mas sim a má gestão, a ausência de planeamento estratégico e a recusa em reformar um modelo que está claramente esgotado”, afirma Gonçalo Maia Camelo.

Neste contexto, a Iniciativa Liberal reafirma, em nota de imprensa, duas ideias consideradas centrais que “têm sido sistematicamente defendidas pela mesma e ignoradas pelo Governo Regional”:

Em primeiro lugar, que este modelo de funcionamento e de gestão da saúde na Região Autónoma da Madeira está esgotado. Um sistema que depende sistematicamente de trabalho extraordinário, que não cumpre normas técnicas e de boas práticas, que reage apenas quando os profissionais chegam ao limite e que não consegue responder a qualquer imprevisto ou contrariedade, é um sistema estruturalmente falhado.

Em segundo lugar, que não basta despejar mais dinheiro em cima dos problemas de sempre. Sem reformas profundas e corajosas — no aproveitamento da capacidade, pública, social e privada, instalada e disponível, na organização dos serviços, na gestão de recursos humanos, na responsabilização das administrações e na avaliação de desempenho — o aumento da despesa apenas perpetua ineficiências e agrava erros e riscos.

“A insistência do Governo Regional numa narrativa de alegada normalidade e de sucesso contrasta com a realidade vivida diariamente nos serviços. As escusas de responsabilidade desmentem o discurso oficial e demonstram que o sistema está a falhar, precisamente, onde nunca poderia falhar: na capacitação dos profissionais e na segurança dos doentes”, conclui Gonçalo Maia Camelo.

Para a Iniciativa Liberal, “ignorar estes sinais é adiar um problema que se tornará cada vez mais grave, com consequências irreparáveis a curto, médio e longo prazo”.

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