O Dia Mundial do Rim assinala-se hoje e pretende alertar a população para a importância da prevenção e do diagnóstico precoce das doenças renais. Entre estas patologias, a doença renal crónica destaca-se como um problema de saúde pública em crescimento, frequentemente silencioso durante vários anos e, por isso, muitas vezes detetado apenas em fases avançadas.
Segundo explica o médico especialista, João Carvão, os rins desempenham funções fundamentais no organismo. “Todos os dias filtram cerca de 180 litros de sangue, removendo toxinas e produtos do metabolismo, regulando os níveis de água e de sais minerais, controlando a pressão arterial e produzindo hormonas importantes para o organismo”, refere ao JM.
A doença renal crónica caracteriza-se pela presença de alterações estruturais ou funcionais dos rins que persistem durante mais de três meses. Nas fases iniciais, muitas vezes não provoca sintomas, o que leva muitas pessoas a conviverem com a doença sem o saber. “Uma das características mais preocupantes desta patologia é precisamente o facto de ser silenciosa. Nos estados iniciais, o doente pode sentir-se perfeitamente bem”, sublinha o especialista.
De acordo com o médico, sinais como cansaço, inchaço nas pernas, perda de apetite ou náuseas tendem a surgir apenas quando a função renal já está significativamente comprometida. “Os rins têm uma grande capacidade de adaptação e conseguem manter muitas das suas funções mesmo quando já existe algum grau de lesão”, explica.
A boa notícia, acrescenta, é que a doença pode ser detetada através de exames simples. “Análises ao sangue e à urina permitem avaliar a função renal. A medição da creatinina no sangue ajuda a calcular a taxa de filtração glomerular, enquanto a análise da urina pode revelar a presença de proteínas, um sinal precoce de lesão renal”, indica.
Estima-se que cerca de 10% da população adulta mundial apresente algum grau de doença renal crónica, muitas vezes sem diagnóstico. Entre os principais fatores de risco destacam-se a diabetes e a hipertensão arterial. “O controlo rigoroso destas doenças é uma das formas mais eficazes de proteger a função renal”, alerta João Carvão.
Manter hábitos de vida saudáveis, realizar análises regulares e procurar acompanhamento médico são medidas essenciais. “Cuidar dos rins começa muito antes do aparecimento dos sintomas. A prevenção e a vigilância continuam a ser as melhores ferramentas para preservar a saúde renal ao longo da vida”, conclui.