O deputado Francisco Gomes acusou o Governo Regional da Madeira de “se ter deixado enganar” pelo governo de Luís Montenegro e de ter sido “complacente quando devia ter defendido os direitos constitucionais dos madeirenses”.
As declarações foram proferidas durante uma audição a Eduardo Jesus, secretário do Turismo, que teve lugar na Comissão de Infraestruturas e Mobilidade da Assembleia da República.
Segundo o parlamentar, o executivo de Miguel Albuquerque “optou por fechar os olhos quando o governo da República chumbou as propostas do Chega que garantiam que os madeirenses pagavam apenas o valor fixo das passagens aéreas no momento da compra, sem adiantamentos, burocracias ou penalizações adicionais”. Para Francisco Gomes, essa “passividade” acabou por resultar no que classifica como “uma traição política evidente”.
O deputado também considera “grave o facto de o governo regional agora se mostrar surpreendido com a portaria publicada pelo governo da República”, que, no entender do Chega, “viola a continuidade e a coesão territorial, ao impor novos obstáculos ao acesso ao apoio à mobilidade”.
“O governo regional foi complacente quando devia ter sido exigente. Bateu palminhas quando Montenegro chumbou as propostas do Chega e agora é traído pelo seu próprio partido. Isto é o resultado de quem prefere agradar ao líder nacional em vez de defender a Madeira”, afirmou Francisco Gomes.
O deputado exigiu ainda que o Governo Regional explique publicamente se tinha ou não conhecimento prévio dos termos da portaria agora publicada e se concordou, explícita ou implicitamente, com um modelo que o Chega considera “lesivo dos direitos de cidadania dos madeirenses”.
“Os madeirenses têm o direito de saber se o governo regional foi cúmplice ou se foi, simplesmente, enganado e comido de cebolada. Em qualquer dos casos, falhou na sua obrigação maior, que é defender a autonomia”, acrescentou.
Para Francisco Gomes, a situação em torno da mobilidade confirma que “apenas o Chega tem mantido uma posição coerente e firme na defesa da Madeira, denunciando um modelo que transforma a as ligações aéreas num privilégio condicionado, em vez de um direito constitucional”.