O deputado do Chega, Francisco Gomes, denunciou o que classifica como um estado de “caos, abandono e degradação profunda” nas pescas na Madeira, que, segundo afirma, compromete pescadores e trabalhadores da Direção Regional das Pescas, “mas que não chega ao conhecimento público devido a um clima interno de pressões, medo e perseguições”.
De acordo com o parlamentar, a situação atingiu “um nível crítico” e “resulta de má gestão prolongada, ausência de planeamento e total afastamento da Direção Regional das reais necessidades do setor”. Francisco Gomes aponta sete problemas que diz serem “graves e que ilustram o colapso do sistema”.
Em primeiro lugar, diz que os funcionários da lota do Funchal “têm apenas o domingo como dia de descanso, sendo obrigados a trabalhar ao sábado sem qualquer compensação”, numa prática que o deputado considera “abusiva”. Em segundo lugar, aponta que os pescadores que vendem peixe em leilão “só recebem o pagamento cinco semanas depois, apesar de os serviços da lota receberem o valor imediatamente no momento do leilão”.
O deputado denuncia ainda que “os túneis de congelação do entreposto do Funchal estão avariados há cerca de 16 meses, bem como a câmara de refrigerados avariada há 13 meses, comprometendo a conservação do pescado e a segurança alimentar. Acresce a falta de manutenção das gruas e empilhadoras, equipamentos”.
Outro “problema grave” prende-se com o número de caixas de descarga, que, segundo o deputado do Chega, “passou de 300 para apenas 95, devido a estarem partidas, o que não garante a normalidade da descarga das embarcações de peixe-espada, causando atrasos e prejuízos aos pescadores”. Por fim, o deputado aponta “a falta de pessoal e a ausência de equipamentos de proteção individual, colocando trabalhadores em risco”.
”Isto é um escândalo! A Direção Regional das Pescas devia trabalhar em prol dos pescadores, mas prefere perseguir quem se queixa e fingir que está tudo bem. O setor está abandonado e a morrer a cada dia!”, condena Francisco Gomes.
“Temos equipamentos avariados há mais de um ano, trabalhadores explorados, pescadores pagos com atraso e um clima de intimidação interna. Isto não é gestão. É incompetência e desprezo por quem vive do mar!»”, adita.
Francisco Gomes conclui exigindo uma “mudança imediata de atitude por parte da Direção Regional das Pescas”, defendendo que o setor “precisa de respeito, investimento e verdade”, e garantindo que o seu partido “continuará a dar voz aos pescadores e trabalhadores que hoje se sentem abandonados e silenciados”.