Shame on you

“I believe in the future”. Boa! Bem-dito.

Para além de ser um bonito chavão, inspira confiança. Arrisco-me a escrever que se houver quem esteja meio descrente no que aí vem, ganha logo um novo alento. Mas não foi só no futuro que o nosso Presidente do Governo Regional disse que acreditava. “I believe in bitcoins”, também… Ora bolas! Eu ia jurar que a presidente do Banco Central Europeu tinha dito que as criptomoedas “não valem nada, baseiam-se em nada e não há nenhum ativo subjacente que sirva de âncora de segurança". Deve de facto haver aqui alguma “confusão” como disse Miguel Albuquerque. É que, de repente, eu já não sei quem percebe do quê… E, pelos vistos, não sou o único.

Vejamos. Sua excelência foi e veio dos States esquisito… Lá considerou que a Madeira tinha condições para ser um local de eleição para as criptomoedas, que o sistema fiscal poderia servir de incentivo, que, que e que… Só faltando mesmo trazer os interessados pela mão. E eu aí já começo a discordar. O que já não falta aqui é gente que acha que tem o rei na barriga, mas na verdade nem dinheiro tem para pagar a desobriga. Um ror de gente com dinheiro virtual. Daquele em que nem se põe a vista em cima. Sabe-se que caiu na conta, mas já voou. Percebe, sua excelência? De hipotéticos magnatas tecnicamente falidos estamos nós cheios. Acredite. Ou melhor, believe in me…

Mas como não somos todos iguais, e talvez embalados por esta injeção de confiança, um grupo de iluminados fez um anúncio/ desvendou um protocolo/ vendeu uma ideia/ whatever sobre uma moeda. Osean de seu nome. Não seria nada mais nada menos que a criptomoeda madeirense.

O executivo, rapidamente, se prontificou a desmentir dizendo tratar-se de uma falsidade. Afinal tudo não passou de uma mera hipótese avançada por um CEO com a cabeça nas nuvens.

No entanto, e não fosse o diabo tecê-las e não quiséssemos nós andar sempre na vanguarda das vanguardas, ainda antes deste equívoco, tinham já os entendidos decidido pedir um parecer a quem realmente entendesse do assunto… Vai daí e assinou-se, com uma conceituada equipa de advogados, um contrato cujo objecto é a “aquisição de serviços relativos à implementação pela Região Autónoma da Madeira de moeda eletrónica”. Baratinho. Acreditem. Bem negociado ficou pela módica quantia de 100 mil euros e para ser desenhado no curtíssimo prazo de 450 dias. Nada mau!

Quando questionado, sua excelência Miguel Albuquerque (quem mais?!) disse que estavam novamente a fazer confusão. Que não era nada de criptomoedas. Era apenas um meio digital que facilitasse as transações dos turistas, por exemplo. Mas que servisse para todos e sempre com o euro como referência… Wait a minute. Já ouviu falar em multibanco?! Visa?! MasterCard?! Please man… Vá beber mais uma ponchinha de cebola que isso passa!

Ps, investimento que é investimento é no Centro Comunitário LGBTI+ na Madeira. Está bem que nem o dinheiro nem os associados se reproduzem, mas lá que se multiplicam, multiplicam… Juro. Cada vez há mais, que até a sigla já parece um abecedário e ainda leva o sinal + à frente!

E já que é para levarmos no pacote até ficarmos com o rabo a arder, ao menos que alguém beneficie com isso. Até vos digo mais, pessoalmente acho pouco. Uma ninharia. 70 mil euros, hoje em dia, não dão para nada! Vocês sabem lá o preço a que estão as coisas. Parece que já estou a ver não terem cadeiras para todos. Olhem, se querem uma sugestão, virem-nas ao contrário. Dá logo para 4. Não estamos em tempo de esquisitices…