O sr. Chulipa e o Senhor Ferreira

O sr. Chulipa está inscrito nos Serviços de Emprego como desempregado. Aufere o respectivo subsídio.

Porém, trabalha "por fora", sem passar recibo, logo não é tributado. No fim do mês soma um montante superior ao que receberia num posto de trabalho normal, também por culpa das vistas curtas da empresa a que pertence.

A dona Clotilde, esposa do sr. Chulipa, é funcionária pública. Mas está "de baixa" já uma porção de tempo, graças a um "senhor doutor" onde o sr. Chulipa faz uns desenrascanços.

A dona Clotilde completa mais outro salário, pois frequentemente solicitada pelos seus dotes para cozinhar. Sem passar recibo.

Com o casal Chulipa, vive a Mãe da dona Clotilde, dona Maria das Dores. Esta recebe o "rendimento mínimo garantido" e, além deste, vai quatro dias por semana a casas particulares, onde o que arrecada no fim do mês, sem declarar, ultrapassa em muito o tal "rendimento mínimo".

Na respectiva Câmara Municipal, Junta de Freguesia e Casa do Povo, os Chulipas recebem géneros alimentares, artigos de toilete e bebidas que dão para o mês inteiro. E, por vezes, ainda recorrem ao fornecimento directo, pronto e quentinho de refeições para... "os mais necessitados"!...

O próprio Pessoal camarário, na recolha do lixo, confessa estranha a quantidade de desperdício de produtos estragados que os Chulipas deitam fora!

E que só não é maior porque a dona Clotilde e a dona Dores ainda vendem na vizinhança alguns dos bens que receberam e acumularam.

Vivendo numa habitação pública, construída com o dinheiro dos que cumprem o seu Dever de pagar os impostos, e apesar da respectiva renda ser Social, isto é, uma pequena percentagem do rendimento que o agregado familiar Chulipa declare – não o Real, claro – há muito tempo que esta família não paga a dita renda.

Como se está quase sempre próximo de qualquer eleição, a Entidade Pública senhoria "esquece-se" de cobrar as rendas, e muito menos proceder ao despejo legal.

Mais. A proprietária acorre, pronta, a casa do sr. Chulipa, para consertar uma porta que ele tenha rachado com a bebedeira, ou repôr uma torneira que um dos filhos do casal, cheio de "passa", lhe deu para arrancar.

Aliás, estes "meninos" nunca produziram algo na escola, apesar do erário público lhes ter pago todos os materiais escolares e os transportes, bem como a Câmara Municipal e a Junta de Freguesia lhes terem dado uns "vouchers"... que, vá lá, lhes permitiu "snifar" mais umas vezes.

Orgulhoso destas duas prendas, o casal Chulipa vai-lhes oferecendo motorizadas "ultimo grito", que eles vão espetando.

Os vizinhos já se queixaram à PSP, da poluição sonora. Mas Esta erradamente desmilitarizada, agora "intervencionada" pela dúzia de sindicatos, o que permite "folgas para todos", a Dita nada faz. Porque se trata de "coitadinhos" e porque àquelas horas não trabalha, se o Estado socialista não pagar mais.

E nem sequer à problema com o bem estar sanitário.

Os remédios para irem tratando a cirrose do sr. Chulipa, os excessos da dona Clotilde, os ataques da dona Dores e os estampanços dos "pequenos", são prestimosamente pagos pelo Poder Local, bem como a Água e a Luz que eles dizem não poder suportar.

Noutra família, o Senhor Ferreira nunca faltou ao trabalho na Empresa onde sempre trabalhou.

Nunca meteu um atestado médico. Declarou sempre, correctos, os seus rendimentos. Pagou os impostos e obrigações pessoais e familiares sempre pontualmente.

É casado com a Senhora D. Luísa, Funcionária Pública, a qual também nunca faltou, nem apresentou atestados médicos de conteúdo falso.

O Casal Ferreira nunca exigiu casa ao sector público, desde que casaram, porque entendiam haver pessoas mais necessitadas. Alugaram um T2 modesto, onde viram crescer os dois Filhos que, dada a Educação e a Formação recebidas – EM CASA – nada exigiam aos Pais e são hoje alunos exemplares na Universidade.

Pais e Filhos, sempre que têm oportunidade, participam em actos de Voluntariado, mas recusam fazê-lo naquelas instituições usadas para exibição pública das e dos respectivos pequeno-burgueses responsáveis.

A par, Pais e Filhos, quando possível, também procuram participar em actos verdadeiramente culturais, não nos que entendem ser só propaganda política e para uns tipos sem qualquer jeito artístico viverem à custa dos contribuintes.

O Casal Ferreira nunca falhou o pagamento da renda de casa, da Água e da Luz.

Para darem o curso aos dois Filhos, ajuda-os um irmão Ferreira, solteiro, e poupanças juntas pela Avó, que vive com Este.

Por impedimentos burocráticos, nunca o Erário Público ajudou os estudos destes Rapazes.

De convicções religiosas, o Casal considera uma Graça, nunca, na Família, alguém adoecer. Pois, para além das refeições do dia-a-dia resultarem da pequena margem que o rendimento familiar permite, já nada sobra para remédios, mesmo com os subsídios legais que são fortemente restringentes.

Ao frigorifico e à arca de frio cabem conservar-lhes exaustivamente tudo o que tem de ser aproveitado porque custou dinheiro.

Nas eleições, tanto a família Chulipa, como a Família Ferreira, votam.

Ora, a Democracia não é um bom regime político, embora seja o menos mau de todos os regimes conhecidos.

Precisamente porque o voto do Senhor Ferreira vale tanto como o voto do sr. Chulipa.

Porque, neste quadro real, a Democracia continua a permitir que as Empresas não paguem melhor os Trabalhadores, que os verdadeiramente carenciados não recebam o que precisam, e que o País não ande para a frente!

É assim, porque há partidos políticos que, por sua vez, vivem dos votos dos Chulipas deste mundo.